MÚSICA RECÉM-LANÇADA DE BRUCE SPRINGSTEEN VIRALIZA
'STREETS OF MINNEAPOLIS' RETOMA O ROCK DE PROTESTO E AMPLIA O DEBATE SOBRE IMIGRAÇÃO E DIREITOS CIVIS NOS EUA
João Carlos
29/01/2026
A música recém-lançada de Bruce Springsteen rapidamente ganhou força nas rádios e plataformas e passou a repercutir na imprensa e redes sociais. Streets of Minneapolis viralizou ao transformar um episódio recente de violência em um manifesto musical direto, político e emocional, reacendendo o papel do rock como ferramenta de crítica social e ampliando o debate sobre imigração, direitos civis e atuação do governo dos Estados Unidos.
Divulgada há poucas horas, a canção foi escrita poucos dias após dois episódios fatais ocorridos em Minneapolis, envolvendo operações de agentes federais de imigração. Springsteen afirmou que a música nasceu como resposta ao que descreveu como um “clima de terror de Estado” imposto à cidade, e a dedicou publicamente “ao povo de Minneapolis, aos vizinhos imigrantes inocentes e à memória de Alex Pretti e Renee Good”.
Pretti, um enfermeiro intensivista de 37 anos, morreu durante uma ação conduzida por agentes federais. Já Renee Good, também de 37 anos e mãe de três filhos, foi morta em uma operação separada dias antes. Os casos provocaram forte comoção local e uma onda de protestos, além de versões conflitantes entre autoridades e testemunhas. Vídeos gravados por moradores circularam nas redes sociais e alimentaram o debate público, mas as investigações seguem cercadas de controvérsia e interpretações divergentes.
Na letra de Streets of Minneapolis, Springsteen aborda a repressão nas ruas da cidade de Minnesota e faz referência direta à mobilização de moradores que passaram a acompanhar e registrar ações dos agentes. A música menciona o uso de equipamentos de contenção em protestos e cita, de forma crítica, nomes ligados à política de segurança e imigração do governo federal, reforçando o tom de denúncia que marca a composição.
A reação da Casa Branca veio por meio de uma declaração oficial, na qual uma porta-voz afirmou que o governo está focado em cooperação entre autoridades locais e federais para lidar com imigração ilegal e criminalidade, minimizando o impacto da canção e classificando-a como uma manifestação artística com informações imprecisas. A resposta acabou ampliando ainda mais a visibilidade da música na imprensa e nas redes.
Crítico declarado de Donald Trump desde o primeiro mandato do republicano, Springsteen tem um histórico consolidado de engajamento político em sua obra. Ao longo da carreira, o artista construiu um repertório voltado à classe trabalhadora, aos veteranos de guerra e às contradições do chamado sonho americano. Em 2001, ele já havia provocado forte repercussão com American Skin (41 Shots), inspirada no assassinato do imigrante Amadou Diallo pela polícia de Nova York.
O título Streets of Minneapolis também dialoga simbolicamente com Streets of Philadelphia, composição premiada dos anos 1990, reforçando a ideia de cidades como palco de conflitos sociais, dor coletiva e resistência. Na gravação mais recente, sons de manifestações e um coro entoando palavras de ordem reforçam o caráter documental e urgente da canção.
Mais do que um lançamento pontual, a nova música de Bruce Springsteen reacende uma discussão antiga e ainda aberta sobre o papel da arte em tempos de polarização. Ao ganhar tração nas plataformas digitais e espaço em veículos internacionais, Streets of Minneapolis confirma que, mesmo aos 76 anos, o artista segue disposto a usar sua voz para comentar o presente, transformar indignação em narrativa musical e lembrar que algumas histórias continuam sendo escritas nas ruas.
Ouça a seguir a nova canção Streets of Minneapolis, de Bruce Springsteen, que em menos de 24 horas já ultrapassou 2,4 milhões de visualizações no YouTube até o momento da publicação desta reportagem. Na sequência, relembre Streets of Philadelphia, um dos maiores sucessos da carreira do artista.
Escrevi esta música no sábado, gravei-a ontem e lancei-a para vocês hoje em resposta ao terror de Estado que assola a cidade de Minneapolis. É dedicada ao povo de Minneapolis, aos nossos vizinhos imigrantes inocentes e em memória de Alex Pretti e Renee Good.
Mantenham-se livres, Bruce Springsteen.



