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Negociadores de paz dos EUA e do Irã seguem para Doha; reunião é incerta

Negociadores de paz dos EUA e do Irã seguem para Doha; reunião é incerta

Reuters

29/06/2026

Placeholder - loading - Pessoas passam por um banner com uma foto do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, em Teerã 28 de junho de 2026 Majid Asgaripour/WANA via REUTERS
Pessoas passam por um banner com uma foto do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, em Teerã 28 de junho de 2026 Majid Asgaripour/WANA via REUTERS

Por Andrew Mills e Parisa Hafezi e Humeyra Pamuk

DUBAI/WASHINGTON, 29 Jun (Reuters) - As equipes de negociação do ​Irã e dos Estados Unidos devem chegar a Doha nesta semana, mas o Irã afirmou que nenhuma reunião havia sido agendada, enquanto disparos de mísseis de ambos os lados no fim de semana colocaram à prova o cessar-fogo provisório para encerrar a guerra que já dura quatro meses.

O presidente dos EUA, Donald Trump, está enviando seu genro, Jared Kushner, e seu enviado especial, Steve Witkoff, para liderar a equipe de negociação, segundo sua secretária de imprensa, Karoline Leavitt. Já o Irã está enviando sua delegação técnica ao Catar nesta semana, mas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou que isso “não tem relação” com a visita dos norte-americanos e que não há conversas agendadas entre os dois lados.

“Não teremos nenhuma reunião de negociação, em nenhum nível, com a parte norte-americana nos próximos dias”, disse Baghaei.

A divergência sobre se as partes se encontrariam ou não ressaltou a fragilidade do acordo de 17 de junho, que suspendeu um conflito que interrompeu os fluxos globais de petróleo pelo Estreito de Ormuz e criou uma dor de cabeça política para Trump antes das eleições legislativas de novembro.

Os EUA e o Irã se deram pelo menos 60 dias para implementar ⁠o memorando de entendimento de 14 pontos ⁠com o objetivo de prorrogar o cessar-fogo de abril, discutir os programas ​de energia nuclear ‌e pesquisa do Irã, bem como o estoque de urânio altamente enriquecido que Trump queria eliminar, e negociar uma trégua permanente. Mas o progresso tem sido lento, com cada lado acusando o outro de violar os termos acordados.

Depois que os EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz -- local por onde passava antes da guerra cerca de um quinto do comércio global de petróleo -- ficou praticamente paralisado. Israel não se juntou às negociações de paz entre os EUA e o Irã ⁠e se distanciou do acordo.

O fechamento da via navegável elevou os preços do petróleo para mais de US$100 o barril, impulsionando a inflação global ​e pressionando Trump antes das eleições de meio de mandato que determinarão o controle do Congresso dos EUA, onde alguns de seus pares republicanos criticaram o presidente por travar ​uma guerra sem a autorização dos parlamentares.

Uma alta autoridade iraniana afirmou que haveria uma reunião em Doha na ‌terça-feira, mas, ao contrário das negociações técnicas anteriores ​entre as ⁠equipes do Irã e dos EUA na Suíça, o foco seria a gestão do Estreito de Ormuz e a redução das tensões.

Outra autoridade a par dos planos disse que equipes técnicas dos EUA e do Irã devem se reunir separadamente com mediadores do Catar e do Paquistão na quarta-feira.

No mais recente acordo de cessar-fogo, o Irã concordou em “tomar as providências necessárias, envidando todos os esforços, para garantir a passagem ​segura” de petroleiros e outros navios comerciais pelo estreito. Após a assinatura, houve um breve aumento no tráfego marítimo, que se mostrou de curta duração depois que o Irã afirmou que impediria a passagem de embarcações que não seguissem os canais de navegação por ele aprovados.

Exercendo seu controle sobre o estreito, compartilhado com o vizinho Omã, o Irã também declarou que planeja cobrar taxas dos navios que utilizarem o estreito após o término do prazo de 60 dias -- o que não acontecia antes da guerra --, o que irritou Trump.

Os EUA acusaram o Irã de atingir pelo menos dois navios ​comerciais no estreito com mísseis ou drones nos últimos dias e bombardearam instalações militares iranianas no fim de semana. O Irã, por sua vez, lançou mísseis e drones contra instalações militares dos EUA no Kuweit e no Barein na madrugada de domingo.

LIBERAÇÃO DE ATIVOS IRANIANOS CONGELADOS

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou na segunda-feira que US$6 bilhões dos US$12 bilhões em ativos congelados no Catar seriam liberados após o acordo e devolvidos ao Irã, segundo informou a mídia estatal iraniana.

Ele descreveu o memorando, que inclui isenções dos EUA para sanções aos setores de petróleo e petroquímico do Irã, como “uma grande vitória para o povo iraniano”.

Uma alta autoridade iraniana disse que o Catar e o Irã estavam na fase final de negociação dos detalhes técnicos para a liberação dos primeiros US$6 bilhões em ativos congelados, que, segundo ele, seriam liberados em duas parcelas.

Os preços do petróleo subiram na segunda-feira, com os futuros do petróleo Brent registrando alta de quase 1%, depois que as tensões ​do fim de semana destacaram a fragilidade do acordo entre os EUA e o Irã.

INCERTEZA SOBRE O ÚLTIMO ACORDO DE CESSAR-FOGO NO LÍBANO

As tensões entre Washington e Teerã também complicaram os esforços para pôr fim ‌aos combates no Líbano. O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, aliado do ⁠Hezbollah, apoiado pelo Irã, colocou em dúvida um acordo mediado pelos EUA entre o Líbano e Israel com o objetivo de interromper o conflito.

Berri alertou na segunda-feira que o acordo poderia levar a tentativas de dividir os libaneses e afirmou que ele não seria implementado.

A última rodada de conflitos no Líbano começou depois que o Hezbollah atacou Israel no início da guerra, em ⁠uma ação que, segundo o grupo, era em apoio ao Irã, seu patrocinador. Israel invadiu o país em março, o que ⁠resultou em deslocamento em massa e mais de 4.000 mortes no Líbano.

O acordo de cessar-fogo entre ⁠os EUA e o Irã, assinado neste ⁠mês, ​inclui explicitamente o fim das hostilidades no Líbano, e o Irã afirmou que isso deve incluir a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano.

(Reportagem das agências da Reuters, com Humeyra Pamuk em Washington)

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