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Papa Leão teve lobo do pulmão removido após médicos detectarem câncer, diz Vaticano

Papa Leão teve lobo do pulmão removido após médicos detectarem câncer, diz Vaticano

Reuters

13/10/2026

Placeholder - loading - Um homem está sentado perto da estátua do falecido Papa João Paulo 2º, em frente ao Hospital Gemelli, onde o papa Leão está internado 13 de outubro de 2026 REUTERS/Stoyan Nenov
Um homem está sentado perto da estátua do falecido Papa João Paulo 2º, em frente ao Hospital Gemelli, onde o papa Leão está internado 13 de outubro de 2026 REUTERS/Stoyan Nenov

Atualizada em  13/10/2026

Por Joshua McElwee e Matteo Negri

CIDADE DO VATICANO, 13 Out (Reuters) - O papa ​Leão foi diagnosticado com uma forma comum de câncer de pulmão depois que os médicos removeram o lobo inferior do pulmão direito durante uma cirurgia realizada nesta terça-feira, informou o Vaticano em um boletim médico.

O pontífice, de 71 anos, tem adenocarcinoma pulmonar. Exames de tecido realizados durante a operação confirmaram o que os médicos já suspeitavam com base nos exames preparatórios, informou o boletim.

Leão, de 71 anos, foi internado no Hospital Gemelli, em Roma, nesta terça-feira, para uma cirurgia destinada a remover um nódulo no pulmão que os médicos detectaram em um exame médico recente.

O Vaticano havia informado na noite desta terça-feira que a operação havia sido bem-sucedida, antes de divulgar uma atualização mais detalhada do cirurgião-chefe do papa, dr. Stefano Margaritora, e de seu médico pessoal, dr. Luigi Carbone.

“Para que o procedimento fosse curativo, o lobo inferior do pulmão direito foi removido por meio de uma técnica assistida por vídeo”, informou o comunicado médico, deixando ⁠claro que o objetivo era ⁠eliminar todo o tecido canceroso.

Os pulmões humanos têm cinco lobos — ​três no ‌pulmão direito e dois no esquerdo.

“Um rápido exame histológico intraoperatório confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, conforme já se suspeitava com base nos exames pré-operatórios”, acrescentou.

A cirurgia realizada nesta terça-feira durou cerca de 90 minutos e foi bem-sucedida, sem complicações, informou o Vaticano. O papa acordou normalmente e está descansando em seu quarto no hospital.

Especialistas médicos afirmaram que, para avaliar o caso do papa, precisariam saber o tamanho do tumor removido ⁠e se o câncer havia se espalhado para os gânglios linfáticos — informações que o Vaticano não forneceu imediatamente.

“Embora tenhamos ​o diagnóstico, ainda não sabemos o estágio da doença. Isso é fundamental para o prognóstico e o tratamento”, disse o dr. Stephen Liu, ​especialista em câncer de pulmão da Universidade de Georgetown, em Washington, e chefe da divisão ‌de hematologia-oncologia do MedStar Georgetown University ​Hospital.

“Se for ⁠um câncer de pulmão pequeno, sem envolvimento dos gânglios linfáticos, a cirurgia por si só provavelmente será curativa”, disse ele à Reuters. “Mas se a análise final revelar um envolvimento maior do câncer, isso indica um prognóstico mais desfavorável.”

PREVISÃO DE PERMANÊNCIA NO HOSPITAL POR UMA SEMANA

Leão deixou o Vaticano antes da cirurgia, pouco antes das ​13h em Roma, e foi visto acenando da parte de trás de um SUV preto enquanto sua comitiva dirigia cerca de 9 km ao norte do Vaticano, em direção ao Gemelli.

Ao chegar ao hospital, Leão apertou a mão de várias autoridades, passou diante de uma multidão de simpatizantes que o aguardava — alguns dos quais gritavam “Auguri” (melhores votos) — e entrou pela entrada principal.

O Vaticano informou no início desta semana que o papa deveria passar cerca de uma semana em recuperação no ​hospital. Todos os seus compromissos públicos foram cancelados até 20 de outubro.

Leão, eleito pelos cardeais de todo o mundo em maio de 2025, é relativamente jovem para um líder da Igreja. Ele gosta de esportes, incluindo tênis, e não é conhecido por ser fumante nem por ter tido problemas de saúde recentes.

O falecido papa Francisco, predecessor de Leão, foi hospitalizado várias vezes à medida que sua saúde se debilitava nos últimos anos de vida. Ele faleceu aos 88 anos em abril de 2025.

Leão, que falou com voz firme e clara em seu único evento público na segunda-feira, mantém uma agenda muito ocupada. Ele deve realizar uma viagem de 11 dias pelo Uruguai, Argentina e Peru, de 6 a 17 de novembro.

FEBRE TIFOIDE

O papa é a máxima autoridade terrena ​para os 1,4 bilhão de católicos do mundo e não tem um substituto que assuma suas funções quando ele fica doente. Quando um papa fica incapacitado, os trabalhos ‌da vasta burocracia do Vaticano seguem normalmente, adiando quaisquer decisões ⁠que exijam aprovação papal.

Leão, nascido em Chicago em 1955 como Robert Prevost, atuou por décadas como missionário e bispo no Peru antes de se tornar papa. Em 1985, quando era um jovem padre, contraiu febre tifoide em Chulucanas, no Peru, e foi hospitalizado.

Ele relatou a experiência em sua única grande entrevista ⁠concedida como papa, em um livro publicado pela Penguin Peru.

Leão disse que a dor era tão ⁠forte que pediu a Deus para morrer, em vez de continuar sofrendo. ⁠Ele interpretou sua sobrevivência como um ⁠sinal ​de Deus de que “precisamos de você aqui (na Terra)”, disse ele.

“Nunca mais olhei para trás”, disse Leão.

(Reportagem de Joshua McElwee; Reportagem adicional de Cristiano Corvino e Clara Schoenthaler)

Reuters

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