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Paraguai vive impasse político com julgamento de impeachment de Peña após colapso de banco

Paraguai vive impasse político com julgamento de impeachment de Peña após colapso de banco

Reuters

06/11/2026

Placeholder - loading - Bandeiras do Paraguai em Assunção   6 de novembro de 2026    REUTERS/César Olmedo
Bandeiras do Paraguai em Assunção 6 de novembro de 2026 REUTERS/César Olmedo

Por Daniela Desantis e Lucinda Elliott

ASUNÇÃO, ​6 Nov (Reuters) - O Senado do Paraguai abriu nesta sexta-feira sessão extraordinária no âmbito do processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña, o que aumentou a incerteza quanto à liderança do país após ele ter renunciado em conexão com o colapso de um banco local.

Peña apresentou sua renúncia na quinta-feira, após a falência do banco Ueno, com o qual mantinha laços comerciais no passado. Sua renúncia ainda não foi formalmente aceita, deixando o país em um limbo político ⁠enquanto ⁠o processo de impeachment segue em ​andamento.

O vice-presidente ‌Pedro Alliana, que deve assumir a Presidência no lugar de Peña, ainda não havia tomado posse até o início da sexta-feira.

A equipe jurídica de Peña havia solicitado uma prorrogação de 72 horas para apresentar ⁠sua defesa, o que foi rejeitado pelo Senado. O presidente seria ​notificado de que foi intimado a comparecer perante o Senado nesta sexta-feira.

Na ​noite de quinta-feira, os parlamentares, atuando como ‌promotores, apresentaram formalmente ​as acusações ⁠que fundamentam o impeachment de Peña. Os parlamentares da oposição argumentaram que qualquer votação final deve respeitar o direito do presidente à defesa antes que o processo ​siga adiante.

Segundo as acusações de impeachment, Peña cometeu conflitos de interesse, manipulou a supervisão regulatória, desviou fundos de previdência e participou de um encobrimento institucional envolvendo o banco central.

A crise política se espalhou pelas ruas, com manifestantes ​retornando ao centro de Assunção na noite de quinta-feira exigindo responsabilização pelo colapso do Ueno e uma indenização mais rápida para os depositantes cujas economias permanecem congeladas.

Alguns correntistas começaram a recuperar seu dinheiro na noite de quinta-feira.

As perspectivas de uma longa transição política também chamaram a atenção dos investidores e do Brasil, o maior parceiro econômico do Paraguai. Embora os órgãos reguladores tenham procurado ​tranquilizar os mercados garantindo a maior parte dos depósitos e contendo os riscos ‌para o sistema financeiro como um ⁠todo, os investidores estão atentos para ver se a turbulência política abala a confiança nas instituições do Paraguai.

“Os protestos contra o congelamento das poupanças ⁠se intensificarão se a saída de Peña parecer ⁠garantir impunidade a ele ou se ⁠os pagamentos aos ⁠depositantes ​e aposentados forem paralisados”, disse Mariano Machado, analista-chefe para as Américas da Verisk Maplecroft.

Reuters

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