Paramount chega a acordo com Estados dos EUA em grande passo para conclusão de fusão com Warner Bros
Paramount chega a acordo com Estados dos EUA em grande passo para conclusão de fusão com Warner Bros
Reuters
21/09/2026
Atualizada em 21/09/2026
Por Jody Godoy e Deborah Mary Sophia
21 Set (Reuters) - A Paramount Skydance chegou a um acordo com a Califórnia e outros 11 Estados norte-americanos que entraram com uma ação para impedir sua aquisição da Warner Bros Discovery no valor de US$110 bilhões, abrindo caminho para uma das maiores fusões do setor de mídia da história.
O acordo inclui o aumento da produção cinematográfica nos EUA — com um investimento de pelo menos US$300 milhões a mais por ano em produções nacionais — e um compromisso de aumentar progressivamente o número de lançamentos anuais de filmes após a conclusão da transação, afirmou o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, em uma coletiva de imprensa.
A empresa produzirá 30 filmes em cada um dos dois primeiros anos do acordo e 32 filmes em cada um dos três anos seguintes, disse Bonta. A cada ano, pelo menos quatro desses filmes precisam ser independentes e pelo menos 20% precisam ser blockbusters.
De acordo com os termos do acordo, a Paramount também criará um conselho de independência editorial para garantir a independência editorial nas redes CBS e CNN, disse Bonta.
O acordo encerra meses de disputas regulatórias e jurídicas sobre um acordo que concentraria drasticamente o poder nos setores de cinema, TV, streaming e notícias.
Ao garantir concessões destinadas a preservar a independência das redações e manter a produção cinematográfica, a Paramount parece ter atendido a algumas das preocupações, aproximando as duas empresas da conclusão de uma fusão que criará um dos maiores grupos de mídia e entretenimento do mundo.
As ações da Paramount subiam mais de 8% nesta segunda-feira, enquanto as da Warner Bros Discovery registraram alta de mais de 10%. A Reuters noticiou pela primeira vez na sexta-feira que a Paramount e os Estados poderiam chegar a um acordo já no fim de semana.
Embora os órgãos reguladores do governo Trump tenham aprovado o negócio, uma coalizão de 12 procuradores-gerais estaduais, liderada por Rob Bonta, da Califórnia, entrou com uma ação judicial em julho para bloquear a fusão, argumentando que ela reduziria a concorrência e criaria um gigante da mídia com poder para aumentar os preços de filmes e programas de televisão.
As empresas afirmaram anteriormente que a fusão representará uma economia de US$6 bilhões, por meio de medidas que incluem cortes de custos que provavelmente afetarão empregos em Hollywood, bem como nas redações da CNN e da CBS. A empresa resultante da fusão deverá ter uma dívida de US$80 bilhões.
Um acordo com os Estados ajudará a Paramount a evitar uma “multa por atraso” de US$7 milhões por dia que deve aos acionistas da Warner Bros por cada dia que o negócio não for fechado após 30 de setembro.
O Sindicato dos Roteiristas dos Estados Unidos (WGA, na sigla em inglês), que também havia entrado com uma ação para impedir o negócio, argumentando que ele reduziria os salários e pioraria as condições de trabalho dos roteiristas de cinema e TV, chegou a um acordo com a Paramount, informou à Reuters uma fonte a par do assunto.
O sindicato alertou em julho que uma entidade resultante da fusão entre a Paramount e a Warner Bros teria “tanto o incentivo quanto a capacidade de reduzir custos por meio da supressão dos salários dos roteiristas e da redução da produção”.
O acordo inclui um fundo de assistência médica de US$17,5 milhões e proteções para os trabalhadores da CBS e da CNN, disse a fonte.
O Sindicato dos Roteiristas dos Estados Unidos não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters sobre o acordo.
Órgãos de defesa da concorrência em outras jurisdições ao redor do mundo, incluindo a União Europeia e o Reino Unido, já aprovaram o acordo.
A aprovação do acordo entre a Paramount e a Warner sugere que os órgãos reguladores podem estar mais abertos à consolidação da mídia, à medida que as empresas se expandem para competir com a Netflix e a Walt Disney. Isso também levanta novas questões sobre a concentração nos setores de notícias, esportes e entretenimento
(Reportagem de Jody Godoy em Nova York, Deborah Sophia e Anhata Rooprai em Bengaluru)
Reuters

