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PAUL MCCARTNEY RESGATA TÉCNICA DOS BEATLES EM SEU NOVO ÁLBUM

Engenheiro do músico revela como máquinas de fita e edições feitas à mão foram combinadas com ferramentas digitais nas sessões de The Boys of Dungeon Lane

Bruna Valle

20/10/2026

Placeholder - loading - Paul McCartney mantém equipamentos analógicos em seu estúdio e recorre a técnicas que marcaram as primeiras décadas da gravação musical
Paul McCartney mantém equipamentos analógicos em seu estúdio e recorre a técnicas que marcaram as primeiras décadas da gravação musical

Mesmo com os avanços da gravação digital, Paul McCartney continua encontrando espaço para métodos tradicionais em seu estúdio. Em uma entrevista à revista Reverb, Steve Orchard, engenheiro de som que trabalha com o músico desde 2014, revelou que o processo de criação do álbum The Boys of Dungeon Lane incluiu máquinas analógicas e até uma técnica de edição que exige cortar e unir fisicamente trechos de fita magnética.

A prática, conhecida como emenda de fita, foi usada durante a gravação de “We Two”. A música havia sido registrada com uma máquina Studer J37 de quatro canais, equipamento semelhante aos utilizados pelos Beatles em parte de suas gravações nos anos 1960.

Uma edição feita com lâmina e fita adesiva

Durante a sessão, McCartney, o produtor Andrew Watt e Orchard chegaram a uma gravação de que gostaram, mas perceberam uma pequena variação de andamento perto do final. Em vez de corrigir o trecho apenas no computador, o engenheiro decidiu gravar uma parte complementar e encaixá-la na versão original por meio de uma emenda física.

O procedimento exige marcar os pontos exatos do corte, separar o segmento de fita e unir as partes para que a transição preserve a continuidade da música. Orchard contou que não fazia uma edição desse tipo com lâmina havia mais de 20 anos.

Máquina Studer J37 voltou a participar do processo criativo de Paul McCartney

O analógico convive com o digital

Apesar de manter equipamentos antigos à disposição, McCartney não abandonou as ferramentas modernas. Grande parte das sessões do álbum foi realizada no Pro Tools, programa digital amplamente utilizado em estúdios profissionais. A diferença está em como o músico combina os recursos.

Segundo Orchard, o estúdio particular de McCartney conserva diferentes máquinas de fita, permitindo experimentar mudanças de velocidade, gravações em oitavas distintas e outras possibilidades sonoras. O objetivo não é reproduzir exatamente o passado, mas aproveitar características dos equipamentos analógicos quando elas contribuem para o resultado.

A combinação também permite que procedimentos tradicionais sejam utilizados de maneira pontual, sem exigir que toda a produção siga um fluxo de trabalho antigo.

A experimentação continua presente

Lançado em maio de 2026, The Boys of Dungeon Lane revisita lembranças da juventude de McCartney em Liverpool e reúne composições pessoais. O trabalho foi produzido com Andrew Watt e marcou o retorno do músico a um álbum solo de inéditas após mais de cinco anos.

A edição especial lançada em outubro acrescentou quatro gravações, incluindo três músicas inéditas e uma nova versão do dueto “Home to Us”, com Ringo Starr.

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