PicPay sobe mais de 2% em estreia na Nasdaq após IPO
PicPay sobe mais de 2% em estreia na Nasdaq após IPO
Reuters
29/01/2026
Atualizada em 29/01/2026
Por Luciana Magalhaes e Tatiana Bautzer
SÃO PAULO/NOVA YORK, 29 Jan (Reuters) - As ações do banco digital brasileiro PicPay subiam na estreia na Nasdaq nesta quinta-feira, um dia depois da oferta pública inicial de ações do grupo controlado pelos irmãos Batista, que levantou cerca de US$434 milhões.
O papel abriu cotado a US$19,50, alta de 2,6%, o que atribui um valor de mercado ao PicPay de US$2,53 bilhões.
O IPO foi o primeiro de uma empresa brasileira em Nova York em quatro anos.
Às 14h40, as ações do PicPay exibiam alta de 2,1%, cotadas a US$19,41.
O presidente-executivo do PicPay, Eduardo Chedid, afirmou na Nasdaq nesta quinta-feira que o banco está avaliando a possibilidade de emitir recibos de depósito brasileiros (BDRs) representando suas ações negociadas nos Estados Unidos, mas manterá seu foco exclusivo no Brasil pelos próximos dois a três anos.
Os recursos obtidos com a oferta financiarão novos serviços de aplicativo, incluindo viagens, entrega de comida e loterias.
'Esperamos aumentar o uso de produtos de crédito por nossos clientes de varejo e corporativos', disse Chedid. O PicPay também aguarda autorização do governo para lançar um serviço de apostas esportivas.
MAIS OFERTAS DO BRASIL
O IPO do PicPay pode abrir caminho para mais empresas brasileiras.
Anderson Brito, chefe de banco de investimento do UBS BB no Brasil, afirmou que uma pesquisa com investidores institucionais prevê mais de 10 IPOs brasileiros em 2026, tanto no Brasil quanto no exterior.
O Agibank, avaliado em R$9,3 bilhões no final de 2024, protocolou neste mês pedido de abertura de capital na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse).
As fintechs brasileiras, em particular, têm obtido sucesso com listagens de ações nos EUA devido à comparação favorável com seus pares globais.
A última empresa brasileira a abrir capital nos EUA foi o banco digital Nubank, que estreou na Nyse no final de 2021, captando US$2,6 bilhões com uma avaliação acima de US$40 bilhões, tornando-se o maior banco da América Latina em valor de mercado.
O último IPO na bolsa brasileira foi o da produtora de fertilizantes Vittia, em setembro de 2021.
MENOS APETITE NO BRASIL
Nova York pode continuar atraindo IPOs brasileiros, disse o analista de investimentos Pedro Galdi, da plataforma de investimentos AGF, porque os retornos das ações são baixos em comparação com os rendimentos da dívida doméstica.
'Com a taxa básica de juros em 15% ao ano, quem iria querer investir em um IPO no Brasil?', questionou.
Em contraste, o negócio da PicPay ilustra uma demanda sólida nos EUA.
'Acredito que este ano veremos mais IPOs nos EUA em geral, não apenas de empresas brasileiras, mas também de empresas de tecnologia norte-americanas', disse Ulrike Hoffmann, chefe global de ações da UBS Global Wealth Management, em uma conferência realizada esta semana no Brasil.
Isso pode, em última análise, impulsionar a demanda no Brasil. 'Acredito fortemente que o mercado local se recuperará por meio de grandes transações, intimamente ligadas a setores mais defensivos, principalmente em infraestrutura', disse Cesar Mindof, diretor da Associacao Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
(Edição de Igor Sodré)
Reuters


