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Plano Safra 26/27 terá R$525,1 bi para agro empresarial, com queda no custeio

Plano Safra 26/27 terá R$525,1 bi para agro empresarial, com queda no custeio

Reuters

30/06/2026

Placeholder - loading - Plantação de milho é vista na fazenda Cercado Grande, em Itajaí, no estado de São Paulo, Brasil, em 1º de abril de 2018 REUTERS/Marcelo Rodrigues Teixeira
Plantação de milho é vista na fazenda Cercado Grande, em Itajaí, no estado de São Paulo, Brasil, em 1º de abril de 2018 REUTERS/Marcelo Rodrigues Teixeira

Atualizada em  30/06/2026

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA/SÃO PAULO, 30 Jun (Reuters) - O Plano Safra 2026/2027 destinará ​R$525,1 bilhões para financiamento de médios e grandes produtores, um acréscimo de 1,7% ou R$9 bilhões frente ao programa anterior, anunciou o Ministério da Agricultura nesta terça-feira, em momento em que parte do setor lida com endividamento e dificuldade para acessar o crédito rural.

Dentro do total, o volume de recursos separado para o custeio foi de R$384,9 bilhões, queda de 7,18% ante o ciclo anterior, ainda que agricultores lidem com custos mais altos, como fertilizantes e diesel.

Por outro lado, os recursos para os médios produtores (Pronamp) tiveram aumento de 5% no comparativo anual, para R$72,6 bilhões, enquanto o total para os demais produtores e cooperativas foi estabelecido em R$452,5 bilhões, alta de 1,2%.

Os juros do Pronamp tiveram queda de 1 ponto percentual em relação ao ano anterior, para 9% ao ano, com o governo tomando medidas para ⁠reduzir o custo ⁠dos empréstimos apesar das dificuldades fiscais.

'Houve um tremendo esforço ​para que os ‌juros, principalmente os recursos das linhas equalizáveis, para que pudéssemos ter uma taxa de juros menor, e isso aconteceu', disse o secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos, em entrevista coletiva após o anúncio do plano.

Ele considerou ainda 'expressivo' o aumento na linha de custeio dos agricultores do Pronamp, o que ele chamou de 'filé mignon' do Plano Safra.

'Vai ser disputado a tapa... (juro de) ⁠9% hoje é um dinheiro que não se acha em qualquer lugar, se tiver, pega que está ​barato', afirmou.

A oferta de recursos para o Pronamp, contudo, responde por uma parcela menor em relação ao total.

A queda no ​total para o custeio, incluindo cooperativas, surpreendeu, especialmente considerando o cenário de maiores ‌custos, disse o diretor de ​Novas Estruturas ⁠Financeiras da fintech TerraMagna, David Telio.

'As margens dos produtores estão muito apertadas', disse Telio, observando que a restrição de crédito, especialmente para o custeio, 'vai apertar ainda mais a situação'.

'Foi dada uma importância maior para investimentos, nós do mercado não entendemos muito bem...', disse.

Para investimentos, o Plano Safra ​elevou o total a R$140,2 bilhões, ante R$101,5 bilhões em 2025/26.

Mas em nota o ministério ressaltou que o Plano Safra 2026/27 traz uma 'redução das taxas máximas de juros em linhas estratégicas', afirmando que a queda da Selic abre uma 'importante janela para a redução do custo financeiro do produtor e para a ampliação da capacidade de contratação do crédito rural'.

O secretário-adjunto de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, ​Wilson Araújo, disse que não houve uma redução dos recursos a taxas de juros controlados -- subsidiadas pelo Tesouro -- no Plano Safra.

Segundo ele, houve queda no volume dos chamados recursos a juros livres.

'Os controlados tiveram um aumento de 12%', disse ele, sem apontar um valor absoluto.

O governo federal anunciará ainda nesta terça-feira, separadamente, o plano safra para a agricultura familiar.

RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDAS

Durante o anúncio do Plano Safra, ministros afirmaram que o governo negocia uma proposta de renegociação de dívidas rurais, para superar um impasse que atualmente dificulta o acesso dos produtores a crédito novo.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo apresentará nos próximos dias uma proposta sobre renegociação de dívidas ​rurais, após diálogo com parlamentares.

'Infelizmente, está ficando de fora (do plano) um dos pontos mais relevantes no momento, que são as renegociações de dívidas', ‌disse o especialista da TerraMagna, afirmando que as estimativas de ⁠dívidas em atraso giram em torno de R$180 bilhões.

'Isso torna ainda mais difícil para o produtor conseguir os desembolsos desse Plano Safra', afirmou.

O especialista disse que, embora a oferta de recursos do Plano Safra atinja recordes ano após ano, o efetivo desembolso está ⁠caindo.

'Na safra 23/24 foi desembolsado 96% do que houve de anúncio do Plano Safra ⁠na época. Para a safra 24/25, foi desembolsado 80%. E ⁠para a safra 25/26, foi ⁠desembolsado ​76%. Então, o anúncio parece bonito... mas, infelizmente, ficou aquém em relação aos desembolsos.'

(Com reportagem adicional de Letícia Fucuchima, Isabel Teles e Roberto Samora)

Reuters

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