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Presidente do Paraguai renuncia em meio a crescente pressão gerada por colapso de banco

Presidente do Paraguai renuncia em meio a crescente pressão gerada por colapso de banco

Reuters

05/11/2026

Placeholder - loading - Presidente do Paraguai, Santiago Peña, durante entrevista à Reuters, em Assunção 21 de agosto de 2024 REUTERS/César Olmedo
Presidente do Paraguai, Santiago Peña, durante entrevista à Reuters, em Assunção 21 de agosto de 2024 REUTERS/César Olmedo

Atualizada em  05/11/2026

Por Daniela Desantis

5 Nov (Reuters) - O presidente do Paraguai, Santiago ​Peña, renunciou nesta quinta-feira após o colapso de um importante banco digital com o qual ele mantinha laços comerciais no passado, o que o colocou sob intensa pressão, já que quase metade da população ficou sem acesso às suas contas bancárias.

“Faço isso tendo em mente a estabilidade do nosso país, a paz social e a necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, afirmou ele em um discurso gravado nesta quinta-feira.

As consequências do colapso do banco, chamado ueno, forçaram a renúncia do presidente do banco central do Paraguai na terça-feira e resultaram na prisão de oito executivos do ueno.

A crise abalou a reputação conquistada com muito esforço pelo Paraguai como um destino estável para investimentos estrangeiros, ⁠especialmente do vizinho ⁠Brasil.

A oposição havia convocado uma sessão extraordinária para ​esta quinta-feira ‌a fim de dar início ao processo de apresentação de um pedido de impeachment no Congresso, enquanto manifestantes exigiam a renúncia de Peña.

Peña, aliado do presidente dos EUA, Donald Trump, também havia perdido o apoio de membros de seu próprio partido conservador. Sua decisão de renunciar deve ser ratificada pelo Senado, ⁠que, segundo parlamentares, provavelmente agirá rapidamente para garantir uma transição ágil.

O Congresso se reunirá ​às 14h, horário local, para receber oficialmente a renúncia, informou um porta-voz do Senado. O vice-presidente Pedro Alliana ​deve tomar posse por volta das 15h30, horário local.

LAÇOS POLÍTICOS

Os ‌parlamentares acusaram Peña de conflitos ​de interesse, ⁠uso indevido de fundos de previdência e encobrimentos institucionais ligados ao colapso do ueno, que havia crescido rapidamente de uma empresa de fintech de nicho para um banco de médio porte administrando cerca de US$850 milhões em recursos públicos.

“Meu ​maior desejo é que a devolução desses recursos seja garantida, que o fundo de garantia de depósitos cumpra sua finalidade e que os recursos públicos — assim como os recursos que pertencem a todos os paraguaios — sejam protegidos”, acrescentou Peña em seu discurso.

O banco central do Paraguai interveio no ueno após determinar que o banco havia ​violado os requisitos mínimos de solvência, desencadeando uma crise que deixou os cerca de 3 milhões de clientes do banco — em um país com 6,5 milhões de habitantes — sem acesso às suas contas.

O ueno não se pronunciou publicamente sobre o assunto.

Peña, um economista eleito em 2023, tem enfrentado intenso escrutínio político devido a seus laços comerciais no passado com o grupo que controla o banco falido. Peña era acionista do Grupo Vázquez, que era proprietário do banco até março de 2025.

Peña rejeitou repetidamente as sugestões de vínculos impróprios. Ele descreveu a controvérsia como a ​escalada política do que começou como uma questão técnica e regulatória e argumentou que qualquer irregularidade deveria ser tratada na ‌Justiça.

Em uma nota aos clientes, o JPMorgan afirmou ⁠que os desdobramentos do caso ueno “adquiriram rapidamente uma dimensão política”, acrescentando que os riscos para o sistema financeiro como um todo dependeriam da “rapidez e transparência” da resposta das autoridades.

Procuradores emitiram mandados de prisão contra os oito ⁠executivos do ueno na terça-feira, e eles se entregaram posteriormente. Os tribunais ⁠ordenaram o congelamento de seus bens à medida que ⁠a investigação se ampliava, ⁠e ​alguns dos executivos foram posteriormente colocados em prisão domiciliar.

(Reportagem de Daniela Desantis; reportagem adicional de Natalia Siniawski e Aida Peleaz-Fernandez)

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