Presidente do TSE diz que prorrogação de horário de votação é inédita e tinha que ser planejada
Presidente do TSE diz que prorrogação de horário de votação é inédita e tinha que ser planejada
Reuters
25/10/2026
Por Victor Borges
BRASÍLIA, 25 Out (Reuters) - O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a prorrogação do horário de votação -- algo inédito no processo eleitoral -- precisava ter sido planejada.
Ponderou, no entanto, que a Justiça Eleitoral conseguiu adotar todas as providências necessárias e cumpriu a decisão judicial que determinou a prorrogação.
'Prorrogar uma eleição é possível, mas ela tem que ser pensada, calculada e estruturada', disse Nunes Marques após a confirmação do resultado das urnas que conferiu uma histórica reeleição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
'Nunca, na história do TSE, houve qualquer prorrogação', afirmou.
'Mesmo diante de todas essas circunstâncias, adotamos todas as providências que se fizeram necessárias e fomos absolutamente exitosos... Temos absoluta segurança de todo o processo eleitoral', acrescentou o ministro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL) neste domingo. Com 99,99% das seções apuradas, Lula teve 51,79% dos votos válidos contra 48,21% do candidato do PL.
A prorrogação do horário do encerramento da votação por duas horas foi determinada por decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Eleitoral (STF), após pedidos de ambas as campanhas, e acabou abrangendo apenas as urnas que ainda estavam abertas. Nunes Marques chegou a afirmar que a decisão de Zanin 'gerou dificuldades ao processo eleitoral'.
A campanha de Lula já havia pedido ao TSE que apurasse denúncias de dificuldades de transporte em algumas cidades que estariam impedindo eleitores de exercerem o seu direito ao voto, e só depois, diante da proximidade do encerramento da votação, buscou o STF.
Por conta da prorrogação do horário de votação, Flávio disse que não reconhece a derrota e que irá pedir a anulação do pleito. Para ele, a decisão de Zanin foi um atropelo das regras com o jogo em andamento.
'É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto que as coisas aconteceram. Vamos pedir a anulação', afirmou o senador em declaração após a declaração do resultado. No primeiro turno, Flávio venceu com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
Neste domingo, o presidente do TSE chamou a atenção para o fato de que a abstenção foi menor do que no primeiro turno.
Um dos fatores determinantes para o resultado eleitoral, na avaliação de analistas, era o comparecimento às urnas, já que historicamente o eleitorado que tende a apoiar mais Lula e o PT costuma ter um comparecimento menor.
O adiamento do horário de encerramento da votação teve como origem pedido da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alegando falta de ônibus nas cidades de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, todas na Bahia.
Posteriormente, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também pediu a ampliação da votação por mais duas horas em cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina devido às condições climáticas nessas regiões.
Apesar da decisão de adiamento, diante da ausência de comunicação oficial por um bom tempo, muitas das seções fecharam normalmente às 17h, impedindo a retomada da votação nesses locais. Mesários de diferentes capitais brasileiras relataram que as seções eleitorais foram encerradas no horário original.
No pronunciamento após a conclusão da votação, Nunes Marques disse que telefonou para Lula e para Flávio para informar a ambos o resultado do segundo turno, que deu a Lula um quarto mandato na Presidência.
(Reportagem de Victor Borges; Texto de Maria Carolina MarcelloEdição de Alexandre Caverni)
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