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Produção industrial no Brasil recua mais do que o esperado em setembro

Produção industrial no Brasil recua mais do que o esperado em setembro

Reuters

05/11/2026

Placeholder - loading - Fábrica de veículos elétricos da BYD no Complexo Industrial de Camaçari, na Bahia 3 de fevereiro de 2026 REUTERS/Rafael Martins
Fábrica de veículos elétricos da BYD no Complexo Industrial de Camaçari, na Bahia 3 de fevereiro de 2026 REUTERS/Rafael Martins

Atualizada em  05/11/2026

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, ​5 Nov (Reuters) - A indústria brasileira marcou o segundo mês seguido de retração da produção em setembro, com queda maior do que a esperada por economistas, em meio a um processo de arrefecimento da economia e diante dos impactos da taxa de juros elevada.

A produção industrial teve em setembro queda de 0,8% em comparação com o mês anterior, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No terceiro trimestre, a indústria acumulou queda de 2,2% da produção sobre os três meses anteriores, após alta de 0,2% no trimestre anterior, no desempenho mais fraco desde o segundo trimestre de 2021 (-3,1%).

O setor apresenta comportamento predominantemente negativo desde maio deste ano, sendo que o único mês em que não apresentou ⁠retração na comparação ⁠mensal nesse período foi julho, quando a produção ​ficou estável.

A ‌expectativa em pesquisa da Reuters com analistas era de retração de 0,2% no dado mensal. Esse foi o resultado mais fraco para meses de setembro desde 2022.

Em relação ao mesmo mês do ano anterior, houve recuo de 2,5% na produção industrial, contra expectativa de queda de 1,7%.

“A indústria vem com uma predominância de quedas ⁠desde maio, com perda acumulada de 4,1% e igualando o ganho de janeiro a abril de ​4,2%', disse o gerente da pesquisa, André Macedo.

'Além da menor intensidade da indústria desde maio, o que se ​vê agora é um espalhamento e um agravamento dessa situação', afirmou, ‌acrescentando que 17 dos 25 ​ramos pesquisados ⁠apresentaram perdas, pior marca desde dezembro de 2025.

A indústria brasileira vem mostrando perda de dinamismo em linha com o arrefecimento da economia no segundo semestre. A política monetária ainda restritiva pesa sobre o setor, apesar do mercado de trabalho resiliente, com impactos ​tanto nas decisões de consumo quanto de investimentos por parte das empresas.

'Os juros mais altos são a principal razão para o menor dinamismo da indústria brasileira', afirmou Macedo.

Na véspera, o Banco Central manteve a Selic em 13,75% ao ano e, prevendo inflação mais alta nos próximos anos, deixou em aberto o que fará à frente ao citar uma ampliação ​das incertezas e um cenário desafiador para a política monetária.

Em setembro, as influências negativas mais importantes para o desempenho da indústria foram dadas por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-4,2%) e produtos alimentícios (-1,7%).

Por outro lado, o crescimento de 1,7% nas indústrias extrativas exerceu a principal influência positiva, interrompendo quatro meses consecutivos de perdas.

'A produção industrial está em clara tendência de desaceleração e já estaria em recessão se não fosse a indústria extrativa e de derivados de petróleo, que no ano apresentam desempenho robusto', destacou André Valério, economista sênior do Inter, calculando que a produção industrial teria recuado 1,4% em ​setembro se excluídas as indústrias extrativas e de derivados de petróleo.

Entre as grandes categorias econômicas, a produção de bens de capital ‌caiu 1,9%, enquanto a de bens de consumo ⁠semi e não duráveis recuou 1,2% e a de bens intermediários teve queda de 0,7%. Os bens de consumo duráveis registraram alta de 0,7% na produção.

A queda da indústria no trimestre 'representa um sinal negativo para o PIB do ⁠terceiro trimestre e adiciona viés de baixa à nossa projeção de queda de ⁠0,2% (sobre o trimestre anterior)', disse Leandro Padulla, economista do ⁠ASA. 'Ainda assim, a resiliência da ⁠indústria ​extrativa, especialmente da produção de petróleo, deve amortecer parcialmente a fraqueza dos segmentos mais cíclicos.'

(Edição de Eduardo Simões e Isabel Versiani)

Reuters

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