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Putin diz que Rússia começará a apreender embarcações europeias caso seus navios sejam alvo de ações

Putin diz que Rússia começará a apreender embarcações europeias caso seus navios sejam alvo de ações

Reuters

12/08/2026

Placeholder - loading - Presidente russo, Vladimir Putin, chega para cerimônia em Moscou  22 de junho de 2026   Alexander Zemlianichenko/Pool via REUTERS
Presidente russo, Vladimir Putin, chega para cerimônia em Moscou 22 de junho de 2026 Alexander Zemlianichenko/Pool via REUTERS

Atualizada em  12/08/2026

Por Andrew Osborn e Felix Light

MOSCOU, 12 Ago (Reuters) - O ​presidente Vladimir Putin afirmou nesta quarta-feira que a Rússia responderá da mesma forma caso os países europeus comecem a apreender navios mercantes russos, e o comandante da Frota do Pacífico da Rússia disse que suas forças estão prontas para “inspecionar e deter” embarcações estrangeiras provenientes do que ele chamou de “Estados hostis”.

As declarações, feitas por Putin enquanto supervisionava exercícios da Marinha no Extremo Oriente da Rússia, ocorrem no momento em que a União Europeia tenta intensificar a pressão sobre a chamada “frota-sombra” da Rússia, ampliando as sanções contra centenas de embarcações e detendo alguns navios e suas tripulações para inspeção. Alguns governos europeus afirmaram que estão estudando medidas mais rigorosas de fiscalização marítima contra ⁠navios suspeitos de ⁠burlar as sanções.

“Podemos ver que as autoridades de ​certos países, ‌violando o direito marítimo internacional, estão tentando restringir a circulação das embarcações de nossos operadores econômicos..., e chegaram recentemente ao ponto de considerar a possibilidade de apreender nossas embarcações e vender os bens que nos saquearem”, disse Putin.

“Naturalmente, isso nada mais é do que pirataria e roubo. E se ⁠isso começar a ser colocado em prática, seremos forçados a responder da mesma forma. E ​não necessariamente nas águas onde estão planejadas as incursões contra nossos navios e embarcações, mas onde quer ​que nós mesmos consideremos necessário e apropriado.”

Viktor Liina, comandante da ‌Frota do Pacífico da Rússia, ​disse ⁠a Putin que o que ele descreveu como países hostis, como o Reino Unido e a França, também transportavam mercadorias em embarcações que arvoravam bandeiras de conveniência, o que — se usássemos a própria linguagem da UE e do Reino ​Unido — também poderia ser descrito como uma “frota-sombra”.

“Os Estados ocidentais estão utilizando ativamente embarcações que arvoram bandeiras de países terceiros para transportar cargas em benefício próprio. Em essência, isso constitui sua frota-sombra”, disse Liina a Putin.

“Temos capacidade para inspecionar e deter navios pertencentes a Estados hostis e à sua frota-sombra; a coordenação entre órgãos está ​em andamento e estamos prontos para lidar com essas tarefas.”

Ele afirmou que sua frota havia realizado uma análise detalhada do tráfego marítimo na região da Ásia-Pacífico e conhecia as rotas, a carga e a propriedade das embarcações ligadas a nações hostis.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia também se pronunciou, acusando a UE, em um comunicado, de utilizar sua força naval no Mediterrâneo — denominada operação EUNAVFOR MED Irini e originalmente lançada para fazer cumprir um embargo de armas da ONU contra a Líbia — para realizar inspeções ilegais em embarcações estrangeiras.

O comunicado citou ​uma operação de revista liderada pela Itália que abordou, neste mês, um petroleiro da chamada “frota-sombra” da Rússia — a segunda ‌operação desse tipo em menos de duas semanas, ⁠à medida que a Europa intensifica a fiscalização de embarcações suspeitas de ajudar Moscou a contornar as sanções ao petróleo.

“A operação Irini está sendo efetivamente utilizada pela União Europeia para intimidar empresas de navegação comercial ⁠e impedir a liberdade de navegação. Há um claro abuso das normas ⁠jurídicas internacionais vigentes e uma interpretação extensiva de ⁠seus poderes”, afirmou o Ministério ⁠das ​Relações Exteriores da Rússia.

“Ao recorrer a tais ações, a União Europeia está... trazendo grandes perigos sobre si mesma”, acrescentou.

Reuters

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