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Resposta ao Ebola no Congo enfrenta dificuldades um mês após OMS declarar emergência internacional

Resposta ao Ebola no Congo enfrenta dificuldades um mês após OMS declarar emergência internacional

Reuters

17/06/2026

Placeholder - loading - Ambulância transporta  paciente acompanhado por um médico que usa equipamento de proteção individual para o Centro de Tratamento da Doença pelo Vírus Ebola em Bunia, no leste da República Democrática
Ambulância transporta paciente acompanhado por um médico que usa equipamento de proteção individual para o Centro de Tratamento da Doença pelo Vírus Ebola em Bunia, no leste da República Democrática

Por Emma Farge e Jennifer Rigby e Clement ​Bonnerot

NAIRÓBI/LONDRES/DACAR, 17 Jun (Reuters) - Os profissionais de saúde que lutam contra um surto de Ebola no leste da República Democrática do Congo carecem de pessoal para identificar casos suspeitos, de ambulâncias para transportá-los e até mesmo de materiais de construção para montar alas de isolamento, afirmaram autoridades e trabalhadores humanitários à Reuters.

Um mês após a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter declarado uma emergência internacional, o surto da rara cepa Bundibugyo já atingiu mais de 800 casos confirmados, com alertas crescentes de que ele pode se tornar o pior já registrado — superando a epidemia da África Ocidental de 2014 a 2016, que matou mais de 11.000 ⁠pessoas.

As equipes ⁠de saúde estão tão sobrecarregadas que dezenas ​de milhares ‌de contatos desses casos continuam sem serem rastreados, disse Jean Kaseya, diretor-geral do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças, à Reuters, apontando a insegurança e o ambiente urbano, marcado pela intensa atividade de mineração, como os principais obstáculos.

“Após quatro semanas, temos um surto em ⁠uma área urbana onde há insegurança, onde há essa atividade de mineração e comércio, ​e também onde não estamos alcançando todas as pessoas que deveriam estar na lista de contatos”, ​disse ele na noite de terça-feira.

“Se não alcançarmos essas ‌pessoas, não podemos dizer que ​vamos ⁠vencer esse surto.”

PACIENTES FOGEM, FICAM À ESPERA

Mesmo os casos identificados, que podem representar apenas uma fração do total devido à insuficiência de testes e lacunas nos dados, nem sempre são isolados e recebem cuidados, disse ele.

“Temos ​pessoas que foram internadas e decidiram fugir por diversos motivos. Temos pessoas com resultado positivo que não foram internadas. E também observamos várias pessoas que estão internadas, mas acreditamos que não estejam recebendo o apoio adequado”, acrescentou Kaseya.

Um relatório da OMS mostrou que cerca de um terço dos 241 alertas ​sobre novos casos suspeitos em Ituri, a província mais afetada, não estavam sendo acompanhados até 14 de junho.

Manel Rebordosa, coordenador da resposta ao Ebola da Oxfam na cidade de Bunia, disse à Reuters que uma mulher com sintomas, incluindo febre e sangramento, em um centro médico de Rwampara que ele visitou esta semana, ficou esperando por horas.

“Eles estavam ligando para o sistema de vigilância, mas ninguém apareceu, pois o sistema cobre muitas zonas de saúde e não dispõe de ambulâncias suficientes”, disse ele.

O Centro de ​Controle e Prevenção de Doenças da África informou que as equipes responsáveis por enterros seguros e descontaminação em ‌Ituri contavam com apenas cerca de 15% do ⁠pessoal necessário e 7% dos veículos necessários.

O ministro da Saúde do Congo, Samuel-Roger Kamba, rejeitou as sugestões de que o surto está superando a capacidade de resposta, afirmando em uma coletiva do ⁠governo na segunda-feira que o ministério havia treinado 1.200 agentes comunitários ⁠e mobilizado 1.000 deles para fazer visitas porta ⁠a porta rastreando contatos ⁠e ​casos suspeitos, com o acompanhamento de contatos atualmente em 63%.

(Reportagem de Emma Farge, Jennifer Rigby e Clement Bonnerot)

Reuters

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