Revelação de pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro a Vorcaro pega aliados de surpresa e preocupa campanha
Revelação de pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro a Vorcaro pega aliados de surpresa e preocupa campanha
Reuters
14/05/2026
Atualizada em 14/05/2026
Por Ricardo Brito e Luciana Magalhaes
BRASÍLIA, 14 Mai (Reuters) - Aliados do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se esforçaram nesta quinta-feira para minimizar os laços do parlamentar com o banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso acusado de uma série de crimes, após a revelação ameaçar as chances do parlamentar na eleição de outubro.
Auxiliares e membros do Partido Liberal (PL) de Bolsonaro disseram à Reuters que foram pegos de surpresa na véspera com a mensagem de voz publicada pelo site de notícias The Intercept Brasil, na qual o senador pediu a Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, que retomasse o financiamento de um filme sobre seu pai.
Até março, Flávio Bolsonaro, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, havia negado qualquer ligação com o banqueiro, que está preso devido ao escândalo envolvendo fraudes financeiras e lavagem de dinheiro do Master.
Na semana passada, ele usou uma camiseta em um evento político que ligava o escândalo do Banco Master ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: 'O Master é do Lula'.
Mas, após a reportagem de quarta, o senador admitiu que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, e que suas conversas envolviam um contrato que o banqueiro deixou de pagar. Ele descreveu como um caso de 'um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai'.
Em entrevista à GloboNews no início da noite desta quinta, Flávio disse que não revelou publicamente sua relação com Vorcaro porque tinha um contrato de exclusividade sobre o financiamento do filme.
'Não queria esconder, mas era uma relação de confidencialidade', afirmou, acrescentando que passou a fazer cobranças ao banqueiro diante do atraso dele em honrar as parcelas do pagamento combinado.
O pré-candidato também negou na entrevista que parte dos recursos do financiamento do filme tenha sido destinada a bancar as despesas do irmão Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Entretanto, Flávio afirmou que para se colocar o projeto do filme de pé foi preciso contratar um advogado nos EUA para gerir os recursos, e admitiu que o profissional também é advogado de Eduardo.
'TAPA NA CARA'
Aliados de Bolsonaro se esforçaram para explicar a reversão repentina, minimizando sua importância para a eleição presidencial.
'Flávio cometeu um único erro ao não revelar seu relacionamento com Vorcaro antes', disse o deputado Alberto Fraga (DF), vice-líder do PL na Câmara dos Deputados. Ainda assim, ele insistiu que o senador não havia feito nada de errado e que deveria continuar com sua campanha.
Concorrentes presidenciais rivais da direita foram menos tolerantes. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema disse nas redes sociais que a revelação era 'imperdoável', chamando-a de 'um tapa na cara dos brasileiros de bem'.
Pesquisas recentes mostraram Flávio Bolsonaro liderando outros candidatos de direita por quase 30 pontos percentuais na disputa e empatando com Lula em uma simulação de segundo turno.
Andrei Roman, diretor da empresa de pesquisas AtlasIntel, disse nas redes sociais que as chances de reeleição de Lula 'dispararam' com a notícia.
Leonardo Barreto, analista político da Think Policy, disse que a crise envolvendo Flávio Bolsonaro 'envergonha aliados, gera desconfiança entre assessores e queima pontes com partes da direita'.
Os mercados financeiros brasileiros caíram na quarta com a notícia, com operadores apostando que as revelações prejudicariam as chances de Flávio vencer as eleições. O real e a bolsa de São Paulo recuperaram parte dessas perdas na quinta.
No ano passado, a família Bolsonaro apoiou a produção de um filme em inglês chamado 'Dark Horse' sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, que agora cumpre uma sentença de 27 anos de prisão por planejar um golpe de Estado depois de perder a eleição de 2022. Atualmente ele está em prisão domiciliar por motivos de saúde.
(Reportagem de Ricardo Brito, em Brasília, e Luciana Magalhães, em São Paulo)
Reuters

