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ROXETTE ESPECIAL: OS BASTIDORES DE JOYRIDE

HÁ 35 ANOS, A BANDA VIVIA O AUGE DA CARREIRA. O ÁLBUM MARCOU 1991 COM HITS, VIDEOCLIPES E UMA TURNÊ MUNDIAL

João Carlos

12/10/2026

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Crédito da imagem: Reprodução/YouTube, ajustada com IA

Em 1991, era difícil escapar do Roxette. Nas rádios, nas paradas, na MTV e nos palcos, Marie Fredriksson e Per Gessle viviam o auge de uma trajetória internacional que havia começado a explodir apenas dois anos antes.

Crédito da imagem: Divulgação

Quando o álbum Joyride chegou às lojas, em 28 de março de 1991, a dupla sueca já vinha de sucessos mundiais como “The Look”, “Listen to Your Heart” e “It Must Have Been Love”. A missão agora era provar que aquele fenômeno poderia continuar.

E continuou.

O disco produziu uma sequência de hits, levou novamente o Roxette ao topo nos Estados Unidos e ganhou uma campanha de videoclipes que aproveitou em cheio uma época em que ver uma música na televisão havia se tornado quase tão importante quanto ouvi-la no rádio.

Um álbum pensado para ter muitos hits

Crédito da imagem: Divulgação

A pressão era enorme. Depois do sucesso de Look Sharp! e de “It Must Have Been Love”, Per Gessle sabia que o próximo álbum seria acompanhado pelo mundo inteiro.

Anos depois, o músico revelou que escreveu cerca de 30 músicas para o projeto e que sua ambição era simples: criar um disco no qual praticamente qualquer faixa pudesse virar single.

O sucesso anterior também trouxe uma vantagem. Segundo Gessle, o grupo pôde passar cerca de seis meses trabalhando em estúdio praticamente sem limitações de orçamento, enquanto a gravadora bancava a produção.

As gravações aconteceram principalmente entre Halmstad e Estocolmo, com Clarence Öfwerman novamente comandando a produção. O método era colaborativo: Per chegava com demos cada vez mais elaboradas, Marie modificava melodias, Jonas Isacsson acrescentava guitarras, Clarence experimentava acordes e Anders Herrlin mexia em ritmos e programações.

O resultado foi o som que Per definiria posteriormente como uma combinação de seu instinto pop, a produção de Clarence e a força vocal de Marie.

Mas havia outro ingrediente fundamental naquele momento: a imagem.

Roxette pega carona na era da música visual

No começo dos anos 1990, o videoclipe já havia deixado de ser apenas uma peça promocional. A MTV transformara vídeos em eventos internacionais, e artistas pop precisavam construir também uma identidade visual.

O Roxette estava perfeitamente equipado para aquela era.

Marie tinha uma presença de câmera extraordinária, enquanto a combinação entre ela e Per criava uma imagem imediatamente reconhecível. Para acompanhar Joyride, a dupla produziu uma verdadeira sequência audiovisual, levando cada single para um universo diferente.

“Joyride”: o auge começa em movimento

Crédito da imagem: Arquivo

O primeiro single não poderia ter sido mais certeiro.

Per Gessle contou que escreveu “Spending My Time” e “Joyride” no mesmo fim de semana, em maio de 1990. A inspiração para o título veio de um bilhete deixado por sua então namorada, Åsa, sobre o piano. Já o famoso assobio teve como referência a ideia de assobiar presente em “Always Look on the Bright Side of Life”, do universo Monty Python.

Lançada em fevereiro de 1991, “Joyride” chegou ao primeiro lugar da Billboard Hot 100, tornando-se o quarto nº 1 do Roxette nos Estados Unidos.

O videoclipe ampliou a sensação de aventura.

Dirigido por Doug Freel, foi filmado na região de Los Angeles e colocou Marie e Per em uma viagem visual com guitarras, estrada, deserto e um carro esportivo vermelho. Em uma das engenhocas da produção, os dois aparecem sobre o carro enquanto um motorista escondido controlava o veículo.

O vídeo recebeu forte exposição na MTV Europe e ajudou a transformar a estética colorida de Joyride em imagem.

“Fading Like a Flower”: Marie assume o centro

Crédito da imagem: Arquivo

O segundo single mostrou outra face do álbum.

“Fading Like a Flower (Every Time You Leave)” havia sido praticamente desenhada para a voz de Marie. Per contou que, quando escrevia para o Roxette naquele período, frequentemente imaginava como ela interpretaria as músicas. Sobre essa faixa, considera a performance de Marie excepcional.

A estratégia funcionou: a música chegou ao nº 2 da Billboard Hot 100, impedida de alcançar o topo por “(Everything I Do) I Do It for You”, de Bryan Adams.

Doug Freel voltou para dirigir o vídeo, mas trocou a paisagem americana por Estocolmo. As filmagens passaram pela região histórica de Gamla Stan e utilizaram também imagens da prefeitura da capital sueca.

Se “Joyride” vendia movimento e euforia, “Fading Like a Flower” reforçava outro patrimônio do Roxette: Marie Fredriksson diante da câmera interpretando uma canção como se estivesse vivendo cada palavra.

“The Big L.”: pop sem freio

Crédito da imagem: Arquivo

O terceiro videoclipe voltou à irreverência.

“The Big L.” nasceu em um momento em que Per percebeu que tinha muitas baladas fortes para o álbum e precisava escrever mais músicas aceleradas. A demo foi registrada em abril de 1990.

Para o vídeo, o Roxette mudou novamente de diretor. Anders Skog assumiu o projeto, filmado em Estocolmo, apostando em cortes rápidos, humor e uma estética deliberadamente exagerada.

Era outra demonstração de como a dupla não precisava repetir a mesma fórmula visual a cada single.

“Spending My Time”: uma câmera para Marie

Crédito da imagem: Arquivo

Então veio o contraste.

Depois da energia dos primeiros vídeos, “Spending My Time” desacelerou tudo.

A música havia sido escrita no mesmo fim de semana de “Joyride”. Per começou a composição ao piano em seu apartamento em Halmstad, trabalhando também a partir de uma ideia de Mats Persson. Curiosamente, uma melodia instrumental que terminou na parte final havia sido concebida inicialmente para a introdução.

Per acreditava tanto na faixa que posteriormente disse ter imaginado que ela poderia se tornar o maior sucesso do Roxette. Nos Estados Unidos, porém, mudanças na estrutura da gravadora prejudicaram sua promoção, e a música terminou no nº 32 da Billboard Hot 100.

O tempo trataria de dar à canção outra história.

Para o videoclipe, entrou em cena o diretor americano Wayne Isham. Filmado na Suécia, o vídeo praticamente entrega a tela a Marie. Ela aparece em diferentes ambientes de uma casa, junto à janela, na cama, no sofá e à mesa, enquanto Per surge apenas ocasionalmente com o violão.

A escolha visual traduzia perfeitamente a música: a ausência da pessoa amada virou ausência também dentro do quadro.

E Marie transformou primeiros planos, olhares e pequenos movimentos em narrativa.

“Church of Your Heart”: o single que quase ficou de fora

Crédito da imagem: Arquivo

A história do quinto single é ainda mais curiosa.

Segundo Per, “Church of Your Heart” nem estava no LP original, aparecendo na versão em CD. O produtor Clarence Öfwerman não gostava particularmente da faixa, Marie também não demonstrava grande entusiasmo e o próprio Per brincou posteriormente que estava tentando ser uma espécie de “Tom Petty de Halmstad”.

Mesmo assim, a gravadora americana enxergou potencial e sugeriu seu lançamento como single.

Wayne Isham voltou à direção, mas dessa vez as filmagens aconteceram na Austrália, durante a passagem do Roxette pelo país. Parte do vídeo foi registrada em uma igreja de Sydney.

Era a prova de que a máquina Joyride já funcionava em escala mundial: a banda podia aproveitar a própria turnê para continuar produzindo imagens destinadas à televisão internacional.

Na verdade, houve ainda um sexto vídeo

Embora cinco faixas tenham formado a principal sequência de singles de Joyride, a história visual do álbum tem um bônus.

O Roxette também gravou um videoclipe para “(Do You Get) Excited?”, novamente com Wayne Isham e durante a passagem pela Austrália. A música chegou a ser planejada como um possível sexto single, mas o lançamento acabou cancelado.

Assim, Joyride deixou seis videoclipes ligados diretamente ao álbum, mesmo que apenas cinco acompanhassem singles efetivamente lançados naquela campanha.

Do estúdio para o mundo

Crédito da imagem: Reprodução/Facebook

Enquanto os clipes circulavam pela televisão, Marie e Per levavam aquelas músicas para os palcos.

A Join the Joyride! World Tour transformou o sucesso fonográfico em fenômeno presencial e mostrou a dimensão que o Roxette havia alcançado fora da Suécia.

Per recordaria posteriormente cenas extraordinárias na América do Sul. Em Córdoba, na Argentina, contou ter encontrado fãs formando um corredor entre o aeroporto e o hotel. Marie chegou a tentar sair disfarçada usando uma peruca, mas foi reconhecida.

Era a confirmação de que o Roxette havia ultrapassado todos os limites de banda europeia de sucesso. Marie Fredriksson e Per Gessle eram estrelas mundiais.

1991, congelado em videoclipes

Talvez seja justamente nos videoclipes que aquele momento possa ser compreendido com maior clareza.

Há o Roxette aventureiro de “Joyride”, o dramático de “Fading Like a Flower”, o irreverente de “The Big L.”, o intimista de “Spending My Time” e o pop clássico de “Church of Your Heart”.

Em uma época em que a MTV ajudava a transformar músicas em imagens globais, o Roxette encontrou o veículo perfeito para aquilo que já sabia fazer: criar refrões imediatos, personagens reconhecíveis e canções capazes de atravessar fronteiras.

Per Gessle disse anos depois que a razão fundamental para o sucesso de Joyride foi o momento certo. Para ele, aquelas músicas acabaram se tornando, de alguma maneira, a trilha sonora perfeita de 1991.

Talvez seja a melhor definição para aquele auge.

A homenagem nos anos 2000: Joyride the Musical

Nos anos 2000, o catálogo do grupo sueco encontrou uma nova e vibrante vida nos palcos do teatro musical. Estreando originalmente em setembro de 2024 na prestigiada Ópera de Malmö, na Suécia, Joyride the Musical consolidou-se rapidamente como um dos maiores sucessos de bilheteria e crítica da região nórdica, celebrando o legado imortal da icônica dupla Roxette, formada por Per Gessle e a saudosa Marie Fredriksson.

Uma Nova Abordagem ao Formato 'Jukebox'

Ao contrário de produções biográficas tradicionais que narram a ascensão e os bastidores das bandas, os produtores de Joyride optaram por uma narrativa inteiramente ficcional.

O enredo é uma engenhosa adaptação da comédia romântica Got You Back, livro de autoria da escritora britânica Jane Fallon. A trama acompanha a história de Stephanie, uma estilista baseada em Londres, que descobre a vida dupla de seu marido, Joe, e a existência de uma namorada secreta, Katie.

Em uma reviravolta cômica e empoderada, as duas mulheres unem forças em um pacto de vingança meticuloso, dando ao infiel exatamente o que ele merece.

A Trilha Sonora e a Resposta do Público

A costura dramática do espetáculo apoia-se firmemente nas composições de Per Gessle.

Os clássicos globais do álbum ganharam arranjos grandiosos executados por uma orquestra completa, misturando números de dança enérgicos a momentos de profunda melancolia.

Cantadas na língua original inglesa (com diálogos conduzidos em sueco na montagem original), as músicas garantiram uma conexão imediata e nostálgica com o público internacional.

Expansão e o Cenário Atual em 2026

Após o encerramento triunfal de sua primeira temporada e uma aclamada passagem por Estocolmo, o espetáculo retornou ao seu palco de origem para uma aguardada e concorrida extensão de temporada.

Iniciada em 2 de outubro de 2026, a atual residência na Ópera de Malmö tem apresentações confirmadas até o dia 7 de março de 2027.

O sucesso estrondoso pavimentou o caminho para a internacionalização da marca: o musical já tem datas agendadas em Copenhague (Dinamarca) para o final do primeiro trimestre de 2027 e uma adaptação oficial em língua alemã ('Joyride – Das Musical') com estreia prevista para julho de 2027, na Áustria.

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