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Israel e Líbano assinam acordo preliminar após negociações mediadas pelos EUA

Israel e Líbano assinam acordo preliminar após negociações mediadas pelos EUA

Reuters

26/06/2026

Placeholder - loading - O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ao embarcar em aeronave no Aeroporto Internacional do Bahrein 25 de junho de 2026 REUTERS/Eric Lee/Pool
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ao embarcar em aeronave no Aeroporto Internacional do Bahrein 25 de junho de 2026 REUTERS/Eric Lee/Pool

Atualizada em  26/06/2026

Por Rami Ayyub e Maya Gebeily e Michael Martina

JERUSALÉM/BEIRUTE/WASHINGTON, 26 Jun (Reuters) - Israel e ​o Líbano assinaram um acordo-quadro em Washington nesta sexta-feira, após vários dias de negociações para garantir o fim dos combates entre Israel e militantes do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, embora ambos os lados tenham caracterizado o acerto apenas como um passo inicial.

A embaixadora libanesa Nada Moawad e seu homólogo israelense, Yechiel Leiter, assinaram o documento trilateral com os Estados Unidos no Departamento de Estado, em Washington, sem fornecer muitos detalhes.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o acordo permite que as forças israelenses continuem a ocupar o sul do Líbano caso o Hezbollah não se desarme.

“Hoje demos o primeiro passo no que será, sem dúvida, uma jornada difícil, mas importante, essencial e necessária”, disse o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, antes da assinatura do acordo.

Em uma declaração posterior, ele afirmou que os EUA devem facilitar a implementação do acordo por meio de um “Grupo de Coordenação Militar para o Líbano” trilateral e que Washington vai comprometer recursos significativos, incluindo US$100 milhões imediatos em assistência humanitária em coordenação com ⁠a ONU.

Rubio acrescentou que os ⁠EUA reafirmaram sua intenção de aprimorar as capacidades das Forças Armadas ​Libanesas “para estabelecer de ‌forma mais eficaz a soberania em todo o território libanês”, com mais de US$30 milhões em recursos sob as autoridades e dotações existentes dos EUA.

O conflito entre Israel e o Hezbollah eclodiu quando o grupo armado disparou contra Israel em 2 de março, dias após os EUA e Israel atacarem o Irã, desencadeando ataques aéreos e terrestres israelenses que mataram mais de 4.000 pessoas no Líbano e deslocaram mais de um milhão de pessoas.

Moawad, do Líbano, também ⁠avaliou o avanço como um “primeiro passo” no caminho para restaurar a soberania libanesa.

“O Irã está fora, o Hezbollah está fora, e ​o caminho para a paz entre Israel e o Líbano está aberto”, disse Leiter.

'ZONAS-PILOTO'

Netanyahu afirmou em um comunicado que o acordo também deve permitir ao ​exército libanês “começar a se organizar para assumir o controle do território”, a partir do que ele ‌descreveu como duas “zonas-piloto”. As tropas israelenses devem ​se retirar ⁠dessas áreas, que ocuparam durante a guerra.

Israel descreve o território como uma “zona de segurança” ou “zona tampão”, onde suas tropas podem impedir ataques do Hezbollah ao norte de Israel.

O presidente libanês Joseph Aoun afirmou que o acordo deve permitir que os libaneses retornem a terras “totalmente libertas” e reconstruam suas casas sem “nenhum parceiro” em sua soberania.

O número de mortos de ​Israel nesta rodada de hostilidades com o Hezbollah inclui pelo menos 32 soldados e quatro civis israelenses. O Hezbollah não divulga números sobre seus mortos na guerra. A Reuters informou em 4 de maio que vários milhares de combatentes do Hezbollah haviam sido mortos na guerra.

Um funcionário do Departamento de Estado disse à Reuters na quinta-feira que Israel havia concordado em se retirar de parte do território que ocupava, algo que autoridades israelenses e libanesas negaram.

Antes da retomada das negociações nesta semana, Israel e o ​Hezbollah concordaram com um cessar-fogo, mesmo com Israel mantendo tropas no sul do Líbano.

A violência persiste desde o cessar-fogo, com Israel afirmando nesta sexta-feira que suas tropas atacaram e mataram o que afirmou serem sete membros do Hezbollah que atuavam perto do território ocupado pelo país. A Reuters não conseguiu confirmar a informação.

“Na medida em que o exército libanês avançar no desmantelamento e no desarmamento do Hezbollah, prosseguiremos com zonas-piloto adicionais e com a definição definitiva de uma fronteira internacionalmente reconhecida, segura e acordada”, disse Leiter a jornalistas após a assinatura.

O deputado do Hezbollah, Hassan Fadlallah, afirmou que as autoridades libanesas não seriam capazes de fazer cumprir o acordo a menos que, com o apoio dos EUA, “entrem em guerra civil”, informou a emissora pró-iraniana Al Mayadeen.

O Hezbollah se oporia a qualquer medida tomada pelas autoridades libanesas e se agarraria ainda ​mais às suas armas, acrescentando que a oposição do grupo era “séria” e não permitiria que as autoridades implementassem seus compromissos na prática, disse Fadlallah.

PANFLETOS

Forças israelenses lançaram panfletos sobre a cidade ‌de Mansouri, no sul do Líbano, nesta sexta-feira, ordenando que os ⁠moradores saíssem, informou a mídia estatal libanesa. Essa foi a primeira ordem do tipo emitida desde que o último cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah entrou em vigor.

Um alto oficial militar libanês afirmou que Israel havia recentemente incluído Mansouri em sua zona de ocupação. O oficial disse que os agricultores libaneses continuavam a entrar ⁠e sair da cidade, mas já não moram lá.

Um porta-voz militar israelense disse que as forças armadas emitiram ⁠o que descreveram como um “lembrete” à população civil de que “a área está dentro ⁠da zona de segurança na qual os ⁠soldados (israelenses) ​operam. É um lembrete para que não permaneçam na área, a fim de que não sofram danos”.

(Reportagem de Maya Gebeily, Jana Choukeir, Rami Ayyub, Michael Martina e Daphne Psaliedakis)

Reuters

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