Rússia classifica bisneta do líder soviético Khrushchev como 'agente estrangeira'
Rússia classifica bisneta do líder soviético Khrushchev como 'agente estrangeira'
Reuters
13/03/2026
Por Mark Trevelyan
LONDRES, 13 Mar (Reuters) - A acadêmica norte-americana Nina Khrushcheva, bisneta de um ex-líder soviético, foi designada pela Rússia nesta sexta-feira como 'agente estrangeira' -- um termo com conotações de espionagem que Moscou aplica a pessoas que considera envolvidas em atividades antirrussas.
Khrushcheva, de 62 anos, é professora da Universidade The New School, em Nova York, e continuou a fazer viagens de pesquisa à Rússia desde a invasão em grande escala da Ucrânia em 2022.
Seu antepassado Nikita Khrushchev liderou a União Soviética de 1953 a 1964, quando foi deposto por outros membros do Politburo no poder.
Contatada pela Reuters, Khrushcheva disse que não estava surpresa por ser adicionada à lista de 'agentes estrangeiros' da Rússia, que até esta sexta-feira contém 1.164 nomes, incluindo políticos, jornalistas, artistas, ONGs e organizações de mídia.
'Teria sido negligente da parte deles não fazer isso mais cedo ou mais tarde', disse ela, acrescentando que é muito cedo para dizer qual será o impacto prático.
'Certamente há uma ironia histórica, mas não há nada de chocante. Quando Stalin está em alta, Khrushchev está em baixa', disse ela.
Khrushcheva fez alusão ao ressurgimento na Rússia da reputação do ditador soviético Josef Stalin, cujo regime de terror foi denunciado por Khrushchev em um famoso discurso de 1956 em um congresso do Partido Comunista.
A Rússia comemorou o 70º aniversário do discurso no mês passado, provocando um debate renovado sobre os legados dos dois governantes.
Khrushchev foi o líder soviético que transferiu a Crimeia da Rússia para a Ucrânia em 1954, ato revertido em 2014, quando as forças russas invadiram a península e o presidente Vladimir Putin declarou sua anexação.
Khrushchev também é lembrado por ter enfrentado o presidente dos EUA, John F. Kennedy, na Crise dos Mísseis de Cuba de 1962, quando o mundo esteve à beira de uma guerra nuclear.
A agência de notícias russa TASS citou o Ministério da Justiça dizendo que Nina Khrushcheva havia disseminado informações falsas sobre as políticas russas e se opunha ao que Moscou chama de 'operação militar especial' na Ucrânia.
As pessoas listadas como agentes estrangeiros estão sujeitas a requisitos burocráticos onerosos e restrições sobre sua renda na Rússia. Elas são obrigadas a colocar o rótulo de agente estrangeiro nas publicações de mídia social ou em qualquer outra coisa que publiquem.
Alguns críticos do Kremlin usam o rótulo como um distintivo de honra, enquanto outros dizem que é um fardo que os prejudica em seu trabalho porque faz com que outros russos os evitem.
(Reportagem de Mark Trevelyan)
Reuters


