Capa do Álbum: Antena 1
A Rádio Online mais ouvida do Brasil
Antena 1

Setor de renováveis do Brasil busca retomada em 2027 com continuidade do governo Lula

Setor de renováveis do Brasil busca retomada em 2027 com continuidade do governo Lula

Reuters

27/10/2026

Placeholder - loading - Turbinas eólicas 20 de outubro de 2026 REUTERS/Jeenah Moon
Turbinas eólicas 20 de outubro de 2026 REUTERS/Jeenah Moon

Por Leticia Fucuchima

SÃO PAULO, 27 Out (Reuters) - O setor de energias renováveis ​do Brasil, que enfrenta grave crise, espera que o quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva ajude a promover a retomada de seus investimentos para 2027, com a implementação pelo governo de importantes medidas que vinham sendo estudadas e maturadas nos últimos quatro anos, disseram executivos e representantes do setor nesta terça-feira.

Entre os desafios a serem superados, o setor destaca a redução dos cortes de geração renovável, principalmente através da integração de novas tecnologias e ampliação das redes elétricas, e estímulos para um crescimento mais forte da demanda por energia, como a atração de projetos de data centers e de indústria 'verde'.

'O governo Lula ficou um bom tempo estudando, diagnosticando, propondo e fazendo planos, mas não houve tempo de implementação, principalmente da lógica de nova indústria brasileira. Então, é nesse contexto que nós entendemos que haverá implementação (no próximo ⁠mandato)', disse Elbia Gannoum, ⁠presidente da associação ABEEólica, durante o evento Brazil Wind ​Power.

A ABEEólica ainda ‌prevê uma queda das instalações de parques eólicos em 2026, mas comemora os novos investimentos anunciados ao longo deste ano por geradoras como Casa dos Ventos e a norueguesa Statkraft. Segundo Gannoum, esses aportes já se refletem agora 'no chão de fábrica' da cadeia eólica, e vão se concretizar em adição de nova oferta da fonte a partir de meados de 2027.

'Ano que ⁠vem e em 2028 a gente já vê uma indústria (eólica) em curva crescente', disse ela, acrescentando que ​a 'nova indústria brasileira' poderá viabilizar, a partir de 2030, adição de oferta eólica na casa de 6 a 7 gigawatts por ​ano.

POLÍTICA PARA DATA CENTERS

O setor de energias renováveis, frequentemente citado por Lula como ‌um trunfo da economia brasileira ​em seus ⁠discursos, foi relembrado pelo presidente no domingo. Na primeira fala após sua reeleição, Lula associou as renováveis à indústria de data centers, ressaltando o potencial do Brasil para alimentar o consumo de energia desses projetos a partir de fontes limpas.

André Salgado, CEO da francesa EDF Power Solutions, destacou ​que os data centers serão um propulsor importante de demanda para novos projetos de energias renováveis no Brasil, mas que o país precisará melhorar o planejamento para acomodar essas grandes cargas na rede elétrica nacional.

'Não adianta continuar instalando tudo no Sudeste, do lado de São Paulo (principal eixo de data centers), quando a nossa geração de energia está no Nordeste e no Norte', afirmou ele, no evento.

CORTES DE GERAÇÃO ​RENOVÁVEL

Outro tema recorrentemente citado entre os desafios para o próximo governo são os cortes da geração renovável, ou 'curtailments', que ocorrem quando a rede elétrica atinge seus limites operacionais. O problema se tornou uma das principais preocupações do setor elétrico brasileiro, já que vem resultando em prejuízos bilionários aos geradores e em desperdício de energia limpa.

Vários grandes geradores de energia interromperam novos investimentos em renováveis no país e condicionam sua retomada ao avanço de soluções para a questão. Embora o Brasil já tenha definido ressarcimentos retroativos para parte dos cortes, ainda há incertezas regulatórias, e as empresas querem rediscutir a classificação das restrições, especialmente as ligadas à sobreoferta de energia no sistema.

Para Karin Luchesi, CEO ​da Elera, geradora renovável da Brookfield, a continuidade do governo, com um novo mandato de Lula, 'não é ruim'.

'A gente já viu em discussões tanto ‌com o governo, quanto Aneel, ministério, ONS e o próprio ⁠Congresso, uma evolução do tema do curtailment.'

Segundo a executiva, o problema dos cortes de geração precisa ser endereçado no momento atual, com soluções de ordem técnica, para produzir efeitos no médio prazo.

'É insustentável a gente cortar 20%, 30% da geração renovável. Não faz sentido ⁠do ponto de vista econômico.'

Os cortes de geração renovável estão aumentando mundialmente, diante do ⁠crescimento das energias eólica e solar como alternativa às fontes fósseis.

O 'curtailment' ⁠é um dos fatores por ⁠trás ​da desaceleração esperada para a capacidade de energia limpa em 2026, segundo a Agência Internacional de Energia Renovável (Irena).

(Por Letícia Fucuchima; edição de Roberto Samora)

Reuters

Compartilhar matéria

Mais lidas da semana

 

Carregando, aguarde...