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Setor de transporte marítimo aguarda retomada de travessias seguras pelo Estreito de Ormuz

Setor de transporte marítimo aguarda retomada de travessias seguras pelo Estreito de Ormuz

Reuters

22/04/2026

Placeholder - loading - Navios e barcos no Estreito de Ormuz, Musandam, Omã 22 de abril de 2026 REUTERS/Equipe
Navios e barcos no Estreito de Ormuz, Musandam, Omã 22 de abril de 2026 REUTERS/Equipe

Por Florence Tan e Siyi Liu

CINGAPURA, 22 ​Abr (Reuters) - Uma passagem segura e sustentável pelo Estreito de Ormuz é o que as principais empresas de navegação exigem antes que o mundo veja petróleo ou carga voltarem a sair ou entrar pelo Golfo Pérsico, disseram dois importantes executivos do setor nesta quarta-feira.

'Há duas semanas, quando o cessar-fogo, dito temporário, entrou em cena, pensamos que havia esperança. Mas, na realidade, o acordo não se traduziu em segurança e passagem (das embarcações)', disse à Reuters Jotaro Tamura, presidente-executivo da japonesa Mitsui O.S.K. Lines, em uma entrevista à margem da conferência da Semana Marítima ⁠de Cingapura.

A ⁠MOL é uma das maiores empresas ​de navegação ‌do mundo e a maior proprietária de navios-tanque de petróleo e gás natural liquefeito.

As dúvidas sobre segurança permanecerão mesmo se o estreito for reaberto, acrescentou Tamura.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã alertou sobre a existência de minas ao redor do ⁠estreito.

'É uma questão de definição de 'aberto'. Está realmente aberto, ou está 'meio aberto'? ​Está aberto, mas há risco?', questionou Tamura. 'Em algum momento, elas (as viagens) serão retomadas e ​a normalização entrará em cena. Mas é difícil prever ‌como será a realidade.'

Quando ​perguntado ⁠se a MOL pagaria taxas de pedágio ao Irã se solicitado, ele disse que a posição da MOL era seguir a lei internacional, que é a liberdade de passagem pelo estreito.

A ​CMB.Tech, da Bélgica, outra grande empresa marítima, com uma frota de mais de 250 navios, também está esperando por mais clareza.

'Não podemos nos proteger. Só precisamos esperar o que vai acontecer no Oriente Médio', disse o presidente-executivo Alexander Saverys à margem da conferência de ​Cingapura. 'Isso está criando muita incerteza.'

Saverys acrescentou que é preciso haver confiança de que as empresas podem transitar pela região sem problemas. 'Hoje não temos nenhuma garantia. Só teremos essa garantia quando virmos que os navios podem passar pelo estreito de forma segura e sustentável.'

'O Estreito de Ormuz é uma passagem livre, onde normalmente não se deve pagar pedágio', disse Saverys. 'Se isso mudar no futuro, nós investigaremos.'

Ele se recusou a falar sobre quantos navios da empresa estão ​encalhados no Golfo.

'Estamos nos comunicando com todos os governos para ver e garantir que nossas ‌embarcações possam navegar. Mas, no momento, como ⁠vocês sabem, a situação ainda não é segura.'

O tráfego marítimo pelo estreito continua praticamente parado desde o início da guerra entre EUA e Irã, em 28 de fevereiro.

Normalmente, ⁠cerca de 130 navios por dia entram e saem do ⁠Golfo Pérsico pelo estreito, movimentando cerca de ⁠20% do suprimento ⁠diário ​de petróleo e gás natural liquefeito do mundo.

(Reportagem de Siyi Liu e Florence Tan em Cingapura)

Reuters

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