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Síria protege vala comum da era Assad revelada pela Reuters e abre investigação criminal

Síria protege vala comum da era Assad revelada pela Reuters e abre investigação criminal

Reuters

29/12/2025

Placeholder - loading - Vala incompleta cavada para receber corpos no deserto perto da cidade de Dhumair, segundo testemunha  27/2/2025    REUTERS/Khalil Ashawi
Vala incompleta cavada para receber corpos no deserto perto da cidade de Dhumair, segundo testemunha 27/2/2025 REUTERS/Khalil Ashawi

Atualizada em  29/12/2025

Por Feras Dalatey

29 Dez (Reuters) - O governo da Síria ordenou que ⁠soldados vigiem uma vala comum criada para ocultar atrocidades cometidas durante o governo de Bashar al-Assad e abriu uma investigação criminal, após uma reportagem da Reuters que revelou uma conspiração de anos da ditadura deposta para ocultar milhares de corpos em um local remoto no deserto.

O local, no deserto de Dhumair, a leste de Damasco, foi usado durante o governo de Assad como depósito de armas militares, de acordo com um ex-oficial do Exército sírio com conhecimento da operação. Posteriormente, foi esvaziado de pessoal em 2018 para garantir o sigilo de um plano que envolvia desenterrar os corpos de milhares de vítimas da ditadura enterrados em uma vala ​comum nos arredores de Damasco e transportá-los por caminhão a ⁠uma hora ⁠de distância de carro para Dhumair.

A trama, orquestrada pelo círculo íntimo do ditador, foi chamada de 'Operação Move Earth'. Os soldados estão novamente estacionados no local de Dhumair, desta vez pelo governo que derrubou Assad.

A instalação militar de Dhumair também foi reativada como quartel e depósito de armas em novembro, após sete anos de desuso, de acordo com um oficial do Exército destacado no ‌local no início de dezembro, uma autoridade militar e o xeque Abu Omar Tawwaq, que é ​o chefe de segurança de Dhumair.

O local de Dhumair ficou ‌completamente desprotegido durante o verão ​do ​hemisfério norte, quando os jornalistas da Reuters fizeram várias visitas após descobrirem a existência de uma vala comum no local.

Poucas semanas depois da reportagem, em outubro, o novo governo criou um posto de controle na entrada da instalação ​militar onde fica o local, de acordo com um soldado que estava lá e falou com a Reuters em meados de dezembro. Os visitantes agora precisam de autorizações de acesso do Ministério da Defesa.

Imagens de satélite analisadas pela Reuters desde o final de novembro mostram novas atividades de veículos ao redor da área da base principal.

O oficial militar, que falou sob condição de anonimato, disse que a reativação da base faz parte dos esforços para 'garantir o controle sobre o país e impedir que partes hostis explorem essa área estratégica aberta'. A estrada que atravessa o deserto conecta um dos redutos sírios remanescentes do Estado Islâmico a Damasco.

INVESTIGAÇÃO POLICIAL

Em novembro, a polícia abriu uma investigação sobre a vala comum, fotografando-a, realizando levantamentos do terreno e entrevistando testemunhas, de acordo com Jalal Tabash, chefe da delegacia de polícia de al-Dhumair. Entre os entrevistados ⁠pela polícia estava Ahmed Ghazal, uma fonte importante para a investigação da Reuters que expôs a vala comum.

'Contei a ‌eles todos os detalhes que lhe contei ⁠sobre a operação e o que testemunhei durante aqueles anos', disse Ghazal, um mecânico que consertava caminhões que transportavam corpos que quebravam no local da vala comum de Dhumair. Ghazal confirmou que, durante o ‍período da 'Operação Move Earth', a instalação militar parecia vazia, exceto pelos soldados envolvidos no acompanhamento dos comboios.

O Ministério da Informação da Síria não respondeu ​aos ‌pedidos de comentários sobre a reativação da base ou sobre a investigação da vala comum.

(Reportagem adicional de Ryan McNeill)

Reuters

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