Capa do Álbum: Antena 1
A Rádio Online mais ouvida do Brasil
Antena 1

Sobrevivente de uma execução no Tennessee afirma que está isolada e sofre dores constantes

Sobrevivente de uma execução no Tennessee afirma que está isolada e sofre dores constantes

Reuters

30/10/2026

Placeholder - loading - Foto tirada em 4 de dezembro de 2007 mostra a condenada à morte Christa Pike entrando no Tribunal Criminal do Condado de Knox, em Knoxville, Tennessee, obtida pela Reuters em 30 de setembro de 2026 J.
Foto tirada em 4 de dezembro de 2007 mostra a condenada à morte Christa Pike entrando no Tribunal Criminal do Condado de Knox, em Knoxville, Tennessee, obtida pela Reuters em 30 de setembro de 2026 J.

30 Out (Reuters) - Christa Pike, condenada à morte no Tennessee, em ​sua primeira declaração após ter sobrevivido a uma execução malsucedida há um mês, disse que vivia em constante sofrimento físico e mental e que estava praticamente isolada das outras pessoas na ala hospitalar da prisão.

Pike está detida no Centro de Reabilitação Debra K. Johnson, a prisão do Tennessee onde está internada há mais de 30 anos, após sua condenação por um homicídio ocorrido em 1995.

Em uma declaração divulgada nesta sexta-feira por seus advogados, a quem ela a ditou, ela disse que continuava pensando na família da vítima e na “terrível dor e perda que eles têm suportado”.

Ela disse que seu isolamento estava causando sofrimento mental, ao lembrá-la dos 28 anos que passou em confinamento solitário.

“Não houve um único momento desde aquela noite em que eu não tenha sentido dor. Meu ⁠corpo dói. Meus ⁠braços doem. Minhas mãos doem. Minha garganta dói. Ainda ​tenho dificuldade ‌para falar. E a dor não é apenas física. Há dor em minha mente e em minha alma”, disse Pike.

Pike, de 50 anos, foi retirada da câmara de execução na Instituição de Segurança Máxima de Riverbend e levada a um hospital de Nashville, inconsciente, em estado crítico e com ferimentos graves nos braços, depois que duas injeções não ⁠conseguiram matá-la em 30 de setembro. Ela recebeu alta do hospital e foi encaminhada ao Centro ​Johnson em 10 de outubro, dias depois que seus advogados afirmaram que ela havia recuperado a consciência e já ​estava falando.

Em sua declaração, ela agradeceu aos socorristas, médicos e enfermeiros que ‌cuidaram dela após a tentativa ​de execução.

Pike ⁠disse que não sabia por que havia sobrevivido à execução, nem o que aconteceria com ela a seguir.

Ela disse que o amor e o apoio que recebeu de pessoas de todo o mundo lhe deram forças.

“Saber que tantas pessoas se importam comigo, que me ​veem como um ser humano cuja vida importa, é algo que não consigo expressar plenamente em palavras”, disse Pike.

Um juiz do Tennessee ordenou que as autoridades estaduais preservassem todas as provas relacionadas à tentativa fracassada de executá-la, um desdobramento que um de seus advogados chamou de “o primeiro de muitos passos para preservar e fazer valer seus direitos constitucionais”. Seus advogados classificaram a tentativa fracassada ​como uma violação da proibição constitucional de punições cruéis e incomuns.

O governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu todas as execuções até o final do ano, enquanto investigadores analisam a execução malsucedida de Pike e um caso semelhante ocorrido em maio envolvendo outro detento.

Lee, que negou o pedido de clemência de Pike para comutar sua pena para prisão perpétua dois dias antes da tentativa de execução, disse a repórteres nesta semana que esperava que sua sentença permanecesse inalterada “a menos que os tribunais determinem o contrário”.

Pike teria sido a primeira mulher executada no Tennessee desde o início do século 19. Embora injeções letais mal executadas não sejam raras, ​ela é a primeira pessoa conhecida a ter sobrevivido a uma “tentativa de execução concluída” nos EUA, afirmam seus advogados.

Pike tinha 18 anos ‌em janeiro de 1995 quando ela, seu namorado de ⁠17 anos, Tadaryl Shipp, e um terceiro companheiro atraíram Colleen Slemmer, uma colega de classe de 19 anos em Knoxville, para uma área arborizada, onde a torturaram e a mataram. Pike e Shipp foram condenados por homicídio doloso qualificado. Shipp, ⁠cuja idade na época o tornava inelegível para a pena de morte, recebeu prisão ⁠perpétua e continua na prisão. A terceira pessoa envolvida testemunhou ⁠contra Pike e Shipp como ⁠parte ​de um acordo judicial e recebeu liberdade condicional.

(Reportagem de Jonathan Allen, em Nova York; reportagem adicional de Andrew Hay, no Novo México; )

Reuters

Compartilhar matéria

Mais lidas da semana

 

Carregando, aguarde...