STEVE PERRY NEGA RETORNO AO JOURNEY ÀS VÉSPERAS DA TURNÊ FINAL DO GRUPO
CANTOR DESMENTE BOATOS SOBRE PARTICIPAÇÃO NA “FINAL FRONTIER TOUR” E REACENDE DEBATE SOBRE SEU LEGADO NO ROCK
João Carlos
23/02/2026
A poucos dias do início da Final Frontier Tour, anunciada como a despedida definitiva do Journey, o vocalista Steve Perry encerrou as especulações que movimentaram fãs ao redor do mundo.
Em publicação nas redes sociais, Perry negou que esteja avaliando participar da turnê, classificando os rumores como “simplesmente não verdadeiros” e afirmando que segue concentrado em novos trabalhos criativos.
A declaração veio horas depois de o tecladista Jonathan Cain revelar, em entrevista, que Neal Schon teria convidado o cantor para uma possível participação especial.
O resultado foi um breve surto coletivo de esperança. E, logo depois, o balde de água fria.
Mas para entender o peso dessa negativa, é preciso voltar alguns capítulos.
O brilho solo e o retorno que marcou os anos 90
Quando se afastou do Journey no fim dos anos 1980, Steve Perry já era uma das vozes mais reconhecíveis do rock. Em 1984, lançou Street Talk, álbum que trouxe “Oh Sherrie” e consolidou sua força além da banda.
Após um período mais reservado, retornou em 1994 com For the Love of Strange Medicine, reafirmando seu alcance vocal e sua identidade artística.
Em 1995, veio o que muitos consideraram improvável: a reunião da formação clássica do Journey para o álbum Trial by Fire. O disco foi bem recebido e parecia abrir caminho para uma nova fase.
No entanto, uma lesão no quadril e divergências sobre turnês levaram à saída definitiva de Perry em 1998. A decisão encerrou oficialmente sua trajetória com o grupo — ao menos até agora.
Décadas depois, ele surpreenderia novamente com Traces (2018) e o projeto natalino The Season (2021), mostrando que sua voz ainda carrega a mesma carga emocional que o transformou em ícone.
A transformação que levou o Journey ao estrelato
Fundado em 1973, em San Francisco, o Journey nasceu a partir de músicos experientes da cena californiana, incluindo integrantes com passagem pelo Santana. Nos primeiros anos, a banda explorava o rock progressivo e o jazz fusion, priorizando técnica instrumental e improvisação, o que lhe garantiu reconhecimento entre músicos e crítica especializada, ainda que o grande público estivesse por vir.

Créditos da imagem: Roger Ressmeyer / Corbis via Getty Images
A transformação decisiva aconteceu em 1977, com a entrada de Steve Perry. Sua voz potente, emotiva e imediatamente identificável redefiniu o direcionamento artístico do grupo. O Journey deixou de ser apenas uma banda virtuosa para se tornar um fenômeno global. A sonoridade evoluiu para um formato mais melódico e radiofônico, consolidando o AOR (Adult Oriented Rock) como uma das linguagens dominantes do início dos anos 1980.
Com a chegada de Jonathan Cain em 1980, formou-se uma das parcerias criativas mais eficientes da história do rock. Perry, Cain e Neal Schon passaram a construir canções que equilibravam intensidade emocional, refrões grandiosos e produção sofisticada — uma combinação perfeita para os palcos de arena e para a expansão da cultura do videoclipe.
Foi nesse período que surgiram alguns dos maiores hinos do rock mundial:
“Don’t Stop Believin’”
“Open Arms”
“Faithfully”
“Separate Ways (Worlds Apart)”
“Anyway You Want It”
Essas músicas não apenas dominaram as rádios e as paradas internacionais como também atravessaram décadas, sendo redescobertas por novas gerações em séries, filmes e plataformas digitais. “Don’t Stop Believin’”, em especial, tornou-se uma das canções mais executadas e consumidas da história do rock, consolidando o Journey como uma das bandas mais bem-sucedidas de todos os tempos.
Mesmo diante de mudanças de formação, disputas internas e transformações na indústria musical, o Journey permaneceu como referência incontornável do rock de arena e do classic rock mundial — um legado construído sobre melodias memoráveis, performances grandiosas e uma capacidade rara de conectar emoção e espetáculo. ????
A era pós-Perry e a sombra inevitável
Após 1998, o Journey seguiu com diferentes vocalistas até chegar a Arnel Pineda, descoberto por Neal Schon no YouTube em 2007.
A banda continuou ativa e bem-sucedida, mas a comparação com Perry nunca deixou de existir. Cada anúncio de turnê, cada rumor de participação especial, reabre a mesma pergunta: haverá uma última reunião?
A despedida e o adeus sem reunião
A Final Frontier Tour, anunciada em novembro de 2025, começa no próximo sábado, em 28 de fevereiro e deve se estender até 2027.
Além da negativa de Perry, a turnê também marca a futura saída do tecladista Jonathan Cain, ampliando o sentimento de encerramento definitivo.
Um legado que não depende de uma última noite
A ausência de Steve Perry na turnê final pode frustrar parte do público. Mas seu impacto na história do rock permanece inquestionável.
Mais do que a possibilidade de um retorno, o que permanece é a voz que ajudou a definir uma geração.
E mesmo fora do palco com o Journey, Steve Perry segue sendo, para milhões de fãs, o som que ensinou o mundo a não parar de acreditar.
Recorde a seguir dois dos maiores sucessos do vocalista: primeiro, o mega hit “Don’t Stop Believin’”, que marcou a era de ouro do Journey, e, na sequência, a balada “Foolish Heart”, gravada em 1984 para o álbum Street Talk — faixa que permanece até hoje na programação da Rádio Antena 1.



