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STF forma maioria para tributar lucros da Vale em empresas controladas no exterior

STF forma maioria para tributar lucros da Vale em empresas controladas no exterior

Reuters

27/08/2026

Placeholder - loading - Vale utiliza velas giratórias em navios de transporte de minério para reduzir o consumo de combustível 28 de abril de 2026 REUTERS/Pilar Olivares
Vale utiliza velas giratórias em navios de transporte de minério para reduzir o consumo de combustível 28 de abril de 2026 REUTERS/Pilar Olivares

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA, 27 Ago (Reuters) - Os ​ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) formaram maioria favorável a tributar lucros obtidos pela Vale no exterior, em julgamento virtual que começou na semana passada e vai até esta sexta-feira.

Até o momento, o julgamento está com seis votos a quatro a favor da possibilidade de incidência de IRPJ e CSLL sobre os lucros das controladas da empresa brasileira fora do país.

A posição majoritária foi firmada a partir do voto divergente do ministro Gilmar Mendes. ⁠Ele ⁠se manifestou a favor do recurso ​apresentado ‌pela União para se 'reconhecer a possibilidade de computar como acréscimo patrimonial positivo da recorrida os lucros auferidos por suas empresas controladas com sede na Bélgica, Dinamarca e Luxemburgo'.

No voto, Mendes se valeu de ⁠um precedente anterior da própria Corte a favor da tributação ​de lucros de empresas controladas e coligadas no exterior em locais que ​não eram considerados paraísos fiscais.

'Dessa forma, aplicando ‌o que decidido ​pelo Plenário ⁠desta Corte no RE 541.090, entendo que o caso é de reconhecer a possibilidade de incidência do IRPJ e da CSLL sobre o lucro ​da controladora obtido por intermédio de empresas controladas situadas no exterior', destacou ele, no voto.

A Vale não quis comentar o assunto. Procuradas, a Advocacia-Geral da União e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional não ​responderam de imediato a pedido de comentário.

O caso envolvendo a Vale chegou ao Supremo em março de 2015 e gerou muita discussão no âmbito empresarial. Uma nota técnica da Receita Federal de fevereiro de 2023, citada por Mendes em seu voto, apontou na ocasião que o 'impacto econômico-financeiro da matéria ora em julgamento é da ordem de R$142,5 bilhões, levando ​em consideração os anos de 2017 a 2021, e de R$28,5 bilhões ‌anuais futuros'.

O julgamento vai até esta ⁠sexta-feira e até lá os ministros podem alterar seus votos ou mesmo pedir destaque para que o caso seja examinado em plenário.

A ⁠composição atual do STF está com 10 ⁠ministros porque ainda não foi preenchida ⁠a vaga aberta ⁠com ​a aposentadoria do ex-presidente do tribunal Luís Roberto Barroso.

(Edição de Roberto Samora)

Reuters

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