SUBSTÂNCIA DA SOJA MOSTRA POTENCIAL PARA PROTEGER A MEMÓRIA DOS EFEITOS DO SAL
Testes com camundongos indicaram melhora da pressão arterial e do desempenho cognitivo; os resultados ainda precisam ser confirmados em seres humanos
Bruna Valle
20/10/2026
O consumo excessivo de sal é conhecido por sua relação com a pressão alta, mas seus possíveis efeitos não se limitam ao sistema cardiovascular. Pesquisadores japoneses investigaram se um composto derivado da soja poderia reduzir também alterações relacionadas à memória e ao comportamento. Nos experimentos, os animais que receberam a substância apresentaram resultados melhores do que aqueles expostos apenas a uma dieta rica em sal.
O composto estudado é o LPC70, uma forma de lisolecitina de soja rica em determinados fosfolipídios. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Saúde Fujita, no Japão, e publicada na revista científica Neurochemistry International.
O que aconteceu nos experimentos
Os pesquisadores avaliaram camundongos submetidos a uma dieta com excesso de sal, condição que provocou aumento da pressão arterial e dificuldades em testes de reconhecimento de objetos. Os animais também apresentaram redução das interações sociais.
Parte deles recebeu LPC70 durante o experimento. Nesse grupo, os cientistas observaram uma atenuação do aumento da pressão arterial e melhora nos testes relacionados à memória e ao comportamento social.
Os resultados sugerem que o composto pode influenciar mecanismos envolvidos tanto na regulação cardiovascular quanto no funcionamento cerebral. No entanto, os testes foram realizados em animais, e não é possível concluir que o mesmo efeito aconteça em pessoas.

Cientistas investigam a influência de composto derivado da soja na pressão arterial e na memória
Como a substância pode agir no organismo
Para entender os resultados, a equipe analisou as prostaglandinas, moléculas que participam de diferentes processos do organismo, incluindo a regulação dos vasos sanguíneos e respostas inflamatórias.
Os pesquisadores identificaram mudanças em vias de sinalização dessas moléculas nos rins e no córtex pré-frontal, região cerebral envolvida em funções como memória, planejamento e comportamento social.
Nos rins, o LPC70 reduziu alterações associadas à dieta rica em sal em componentes relacionados à regulação da pressão arterial. No cérebro, o composto ajudou a restaurar a expressão de um receptor ligado a mecanismos de proteção celular.
A equipe também observou mudanças nos níveis de prostaglandinas derivadas do ácido araquidônico, uma substância utilizada pelo organismo na produção dessas moléculas sinalizadoras. Em conjunto, os resultados ajudam a explicar possíveis mecanismos por trás dos efeitos observados nos animais.
A descoberta não significa que comer soja neutralize o sal
Embora o composto seja derivado da soja, a pesquisa não demonstrou que consumir alimentos como tofu, leite de soja ou grãos de soja produza os mesmos efeitos. O LPC70 utilizado nos experimentos é uma preparação específica, e sua ação precisa ser investigada separadamente.
Também não há evidências suficientes para recomendar o composto como forma de prevenir problemas de memória ou controlar a pressão arterial em seres humanos. Ensaios clínicos serão necessários para avaliar sua segurança, a quantidade adequada e a possibilidade de benefícios em pessoas.
O controle do sal continua sendo importante
A pesquisa abre uma possibilidade para o desenvolvimento futuro de ingredientes funcionais voltados à saúde cardiovascular e cerebral. Ainda assim, o resultado não muda as recomendações atuais para limitar o consumo excessivo de sódio.
A Organização Mundial da Saúde recomenda que adultos consumam menos de cinco gramas de sal por dia, considerando todas as fontes alimentares. O excesso está associado ao aumento da pressão arterial e a um maior risco de doenças cardiovasculares.


