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VACINAÇÃO PODE ESTAR LIGADA A MENOR RISCO DE INFLAMAÇÃO NOS OLHOS

Análise com mais de 120 milhões de pessoas encontrou menor incidência de uveíte entre vacinados contra Covid-19, varicela e HPV

Bruna Valle

11/09/2026

Placeholder - loading - Estudo aponta associação entre algumas vacinas e menor ocorrência de uveíte, uma inflamação que pode comprometer a visão
Estudo aponta associação entre algumas vacinas e menor ocorrência de uveíte, uma inflamação que pode comprometer a visão

Um estudo internacional encontrou uma possível relação entre a vacinação contra algumas infecções virais e uma menor ocorrência de uveíte idiopática, uma inflamação que atinge estruturas internas dos olhos e, em casos mais graves, pode levar à perda da visão.

A pesquisa foi publicada no American Journal of Ophthalmology e analisou dados de mais de 120 milhões de pacientes atendidos por 60 organizações de saúde nos Estados Unidos. Os registros considerados abrangem o período entre 2006 e 2025.

Os pesquisadores compararam pessoas vacinadas contra Covid-19, varicela, HPV e herpes-zóster com grupos não imunizados de características semelhantes. A ocorrência de uveíte foi observada em diferentes períodos após a vacinação: três, seis e 12 meses.

Proteção foi maior nos primeiros meses

A análise identificou uma associação entre todas as vacinas avaliadas e uma menor incidência da inflamação ocular. O efeito foi mais acentuado nos primeiros três meses e diminuiu gradualmente ao longo do ano.

Entre os principais resultados, a redução estimada do risco foi de:

  • Covid-19: 82% após três meses e 65% depois de um ano;
  • Varicela: 86% após três meses e 71% depois de um ano;
  • HPV: 82% após três meses e 56% depois de um ano.

Os pesquisadores levantam a hipótese de que a imunização possa contribuir para reduzir processos inflamatórios desencadeados por infecções virais. Esses processos podem afetar a barreira que protege estruturas importantes do olho e favorecer o surgimento da uveíte.

A uveíte pode atingir diferentes regiões do olho e, em quadros graves, comprometer a visão

Resultado ainda precisa ser confirmado

Apesar dos números, os autores destacam que o trabalho não permite afirmar que as vacinas sejam responsáveis diretamente pela redução dos casos de uveíte. Isso porque a pesquisa foi retrospectiva e baseada na comparação de registros médicos.

Também ainda não está definido quanto tempo um possível efeito protetor poderia durar. Novos estudos deverão avaliar, por exemplo, se doses de reforço seriam capazes de manter essa proteção por mais tempo.

O que é uveíte?

A uveíte é uma inflamação que pode atingir a úvea, estrutura localizada na parte interna do olho. Dependendo da região afetada, pode ser classificada como anterior, intermediária ou posterior.

A doença pode provocar dor, vermelhidão, sensibilidade à luz e alterações na visão. Em situações mais graves, pode causar danos permanentes e contribuir para a deficiência visual.

Segundo o Ministério da Saúde, a uveíte está relacionada a cerca de 10% dos casos de deficiência visual no Ocidente. Aproximadamente 35% dos pacientes apresentam baixa visão ou cegueira.

Por enquanto, o novo estudo acrescenta uma possível associação entre imunização e saúde ocular, mas os próprios pesquisadores reforçam que são necessárias novas investigações antes de que essa relação possa ser considerada uma forma comprovada de prevenção da uveíte.

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