Wisconsin vota para escolher novo juiz em campanha com milhões de Musk
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Por Joseph Ax
(Reuters) - Os eleitores de Wisconsin, nos Estados Unidos, foram às urnas nesta terça-feira para escolher um novo juiz para a mais alta corte do estado, em uma disputa que representa um referendo antecipado sobre a presidência de Donald Trump, com direitos ao aborto, direitos trabalhistas e regras eleitorais potencialmente em jogo.
A disputa judicial é a mais cara da história dos EUA. Mais de US$90 milhões foram gastos pelos candidatos, pelos partidos estaduais e por grupos externos. Na cifra estão incluídos mais de US$21 milhões gastos pelo bilionário Elon Musk, aliado de Trump, e por grupos políticos com laços com o empresário, de acordo com uma contagem do Brennan Center da Universidade de Nova York.
A liberal Susan Crawford, juíza distrital, e o conservador Brad Schimel, ex-procurador-geral republicano e também juiz distrital, estão disputando uma vaga no tribunal que, atualmente, tem uma vantagem liberal de 4-3. Porém, um dos liberais está se aposentando.
A corrida é tecnicamente apartidária, embora Trump tenha apoiado Schimel e os democratas e republicanos do estado tenham se alinhado ao seu candidato preferido.
É provável que o tribunal emita decisões críticas sobre direitos de voto e regras eleitorais antes das eleições de meio de mandato de 2026 e da corrida presidencial de 2028, quando se espera que Wisconsin continue sendo um campo de batalha central. Trump venceu em Wisconsin em novembro por menos de um ponto percentual -- a margem mais apertada em todos os estados.
O tribunal também está prestes a decidir se os direitos ao aborto devem permanecer legais em todo o estado. Além disso, pode rever uma lei, apoiada pelos republicanos, que retirou da maioria dos sindicatos de funcionários públicos os direitos de negociação coletiva.
Nesta terça-feira, o eleitor de Wisconsin Gary Christenson, um aposentado, disse que apoiaria Schimel.
'Se um liberal entrar lá, ele vai continuar tentando destruir os esforços de Trump para reduzir o tamanho do governo', disse.
Outro eleitor, West Roberts, 26, prometeu votar em Crawford.
'Apoiar pessoas comuns é mais importante do que apoiar pessoas que apoiam Elon Musk ou os multimilionários', disse Roberts.
Musk, cujo Departamento de Eficiência Governamental está supervisionando a campanha sem precedentes de corte de custos de Trump no governo federal, tornou-se uma figura central na corrida. Ele realizou um comício na noite de domingo em que seu principal super PAC -- ou comitê de ação política -- distribuiu cheques de US$1 milhão para dois eleitores.
O procurador-geral democrata de Wisconsin, Josh Kaul, tentou bloquear os pagamentos, argumentando que eles violavam uma lei estadual antissuborno. A Suprema Corte estadual se recusou a julgar o caso pouco antes do evento de domingo.
Musk, que gastou mais de US$250 milhões para ajudar Trump a vencer a eleição presidencial em novembro, também prometeu pagar US$20 a voluntários para cada eleitor que eles recrutassem antes da votação desta terça-feira. Ele ofereceu ainda US$100 aos eleitores que enviassem uma foto de qualquer um segurando uma foto de Schimel, enquanto gesticulava com o polegar para cima.
(Reportagem de Joseph Ax; reportagem adicional de Dan Fastenberg e Hussein Al Waaile em Genesee, Wisconsin)
((Tradução Redação São Paulo))
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