Coreia do Norte denuncia promessa dos EUA e do Japão de coproduzirem mísseis
Publicada em
SEUL (Reuters) - A Coreia do Norte criticou um recente acordo entre o Japão e os Estados Unidos sobre a coprodução de mísseis ar-ar, considerando-o um agravante dos riscos à segurança regional e outro exemplo da pressão de Washington para militarizar o Japão, informou a mídia estatal na quarta-feira (horário local).
Em um momento em que os Estados Unidos estão aprimorando seu comando militar no Japão, a cooperação dos dois países na produção de munições tem claramente intenções militares e agressivas voltadas para os países da região, disse a agência de notícias estatal norte-coreana KCNA.
Os comentários foram atribuídos a um vice-diretor geral não identificado do Ministério da Defesa da Coreia do Norte e não mencionaram países específicos.
Mas a autoridade se referia ao sistema de mísseis ar-ar AIM-120 que os Estados Unidos e o Japão concordaram em acelerar a coprodução durante a visita do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, a Tóquio no domingo.
O avanço da implantação de tal arma usada por aeronaves envolvidas em frequentes exercícios militares na região, que já representam uma grave ameaça à segurança, acrescenta um 'novo elemento de instabilidade estratégica à região da Ásia-Pacífico', disse a autoridade.
'Certamente, o centro de gravidade da estratégia de segurança militar orientada para a hegemonia dos EUA está mudando e é um novo sinal de alerta para a sociedade regional da Ásia-Pacífico, incluindo os países do nordeste da Ásia', disse a autoridade.
O acordo ocorre porque 'os EUA têm sido coniventes e incentivado as iniciativas do Japão para se tornar um gigante militar desde o século passado', disse a autoridade.
Em Tóquio, Hegseth e seu colega japonês concordaram em acelerar um plano para produzir conjuntamente mísseis ar-ar além do alcance visual e considerar a coprodução de outros mísseis terra-ar.
Hegseth enfatizou a importância do papel do Japão na dissuasão da China, incluindo a ameaça de Pequim através do Estreito de Taiwan, chamando-o de 'pedra angular' da segurança na região.
Esse reconhecimento positivo do Japão por parte de Hegseth contrastou com suas críticas aos aliados europeus e com a reclamação do presidente dos EUA, Donald Trump, de que Tóquio não fez o suficiente para apoiar a presença de militares dos EUA no país.
(Reportagem de Jack Kim)
Escrito por Reuters
SALA DE BATE PAPO