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QUANTOS IDIOMAS VOCÊ FALA? A RESPOSTA PODE TER RELAÇÃO COM A IDADE DO CÉREBRO

Pesquisa encontrou diferenças na idade cerebral estimada entre pessoas que falam um, dois, três ou quatro idiomas

Bruna Valle

30/09/2026

Placeholder - loading - Aprender e usar diferentes idiomas pode estar associado a uma forma mais resistente de envelhecimento do cérebro
Aprender e usar diferentes idiomas pode estar associado a uma forma mais resistente de envelhecimento do cérebro

Aprender outro idioma pode trazer benefícios que vão muito além da comunicação. Uma pesquisa apresentada no Fórum da Federação Europeia de Sociedades de Neurociência de 2026 encontrou uma associação entre o número de idiomas falados e a idade cerebral estimada. Quanto maior a experiência com diferentes línguas, mais jovem o cérebro aparentava ser em relação à idade cronológica.

O trabalho foi conduzido por pesquisadores do Basque Center on Cognition and Language, na Espanha, e envolveu participantes da região do País Basco que falavam entre um e quatro idiomas. Para analisar o envelhecimento cerebral, a equipe utilizou exames de magnetoencefalografia e inteligência artificial.

Diferença aumenta conforme cresce o número de idiomas

Primeiramente, os pesquisadores analisaram 728 pessoas para desenvolver um modelo capaz de estimar a idade do cérebro a partir dos padrões de atividade cerebral. Depois, aplicaram esse modelo a um grupo independente de 144 participantes.

Os resultados mostraram uma diferença gradual. Pessoas que falavam dois idiomas apresentaram idade cerebral estimada cerca de seis anos menor do que participantes que falavam apenas um. Entre quem dominava três idiomas, a diferença chegou a aproximadamente sete anos. Para aqueles que falavam quatro línguas, o cérebro aparentava ser até 13 anos mais jovem.

A análise também encontrou uma relação com quando o segundo idioma foi aprendido e com o nível de domínio. Participantes que começaram mais cedo e apresentavam maior proficiência tendiam a apresentar sinais associados a um envelhecimento cerebral mais lento.

Contato com diferentes idiomas exige que o cérebro alterne entre sistemas de linguagem e informações ativas

Por que os idiomas podem estimular o cérebro?

Uma das hipóteses discutidas pelos pesquisadores envolve a chamada reserva cognitiva. Ao utilizar mais de um idioma, o cérebro precisa selecionar palavras, alternar entre sistemas linguísticos e inibir informações que não serão utilizadas naquele momento.

Esse exercício constante pode contribuir para a capacidade do cérebro de lidar com mudanças relacionadas ao envelhecimento. A ideia também aparece em pesquisas anteriores sobre educação, atividades cognitivas e envelhecimento saudável.

Um estudo publicado na revista Nature Aging, por exemplo, analisou mais de 86 mil pessoas entre 51 e 90 anos, distribuídas por 27 países europeus. Os pesquisadores encontraram associação entre o uso de mais de um idioma e menor ocorrência de sinais de envelhecimento acelerado. O efeito também aumentava conforme crescia o número de idiomas utilizados.

Não significa que aprender um idioma evita doenças

Apesar dos resultados, os estudos não permitem afirmar que falar várias línguas seja capaz, sozinho, de impedir demência ou outras doenças neurológicas.

A pesquisa mais recente mede uma estimativa de idade cerebral, e os próprios pesquisadores ressaltam que outros fatores também podem influenciar o envelhecimento, como estilo de vida, interação social e características individuais. São necessários novos estudos para entender melhor essa relação e verificar se o aprendizado de idiomas pode produzir efeitos semelhantes em diferentes populações.

Ainda assim, os resultados reforçam uma ideia já investigada pela ciência: manter o cérebro ativo ao longo da vida pode estar relacionado a uma maior capacidade de enfrentar as mudanças provocadas pelo envelhecimento. E, nesse contexto, aprender uma nova língua pode ser uma forma de exercitar memória, atenção e flexibilidade mental.

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