TECNOLOGIA MUDA A FORMA DE COMPRAR PRODUTOS DE ALTO PADRÃO
Pesquisa mostra interesse por personalização e novas ferramentas digitais, mas qualidade, tradição e contato humano continuam entre as prioridades
Bruna Valle
30/09/2026
A inteligência artificial começa a ocupar um espaço maior no mercado de luxo. Para 94% dos consumidores, a tecnologia pode melhorar a experiência de compra, principalmente ao facilitar a busca por produtos e oferecer recomendações mais personalizadas.
O resultado faz parte do EY Luxury Client Index 2026, levantamento que ouviu 1.631 consumidores em 11 mercados. A pesquisa mostra um setor em transformação, mas também indica que a tecnologia precisa ser incorporada sem deixar de lado os elementos tradicionais associados ao luxo.
Onde a IA pode entrar?
Entre as aplicações mais desejadas pelos consumidores estão a melhora das buscas pela internet, apontada por 56% dos entrevistados, e as sugestões personalizadas de produtos, mencionadas por 50%.
A tecnologia também desperta interesse dentro das lojas. Cerca de 47% dos participantes consideram atrativas aplicações de IA no ambiente físico, como espelhos inteligentes.

Personalização e recomendações estão entre os recursos de IA que mais despertam interesse no mercado
Na prática, isso pode significar uma experiência de compra mais adaptada ao perfil de cada cliente: encontrar produtos com mais facilidade, receber sugestões de acordo com preferências anteriores e ter acesso a ferramentas digitais durante a escolha.
O luxo ainda depende do toque humano
Mesmo com a abertura à tecnologia, a pesquisa mostra que o consumidor não quer trocar completamente a experiência presencial pelo digital.
71% das compras mais recentes de produtos de luxo foram realizadas em lojas das próprias marcas, que também registraram os maiores índices de satisfação. Entre os aspectos mais valorizados estão o atendimento, a interação com funcionários e as recomendações de estilo.
Ao mesmo tempo, 72% dos entrevistados demonstram preocupação com a possibilidade de perder o contato humano com o avanço das ferramentas digitais. A mesma proporção manifesta receio em relação à privacidade dos dados.
Tradição continua valendo
A tecnologia, portanto, chega a um mercado que não pretende abandonar seus fundamentos. A qualidade dos materiais, citada por 65% dos participantes, e a história das marcas, mencionada por 52%, continuam entre os principais fatores que influenciam a decisão de compra.
Outro movimento que ganha força é o mercado de produtos de luxo de segunda mão. 62% dos entrevistados afirmam que comprariam itens usados certificados diretamente das próprias marcas. Para 46%, essa possibilidade aumenta a disposição para comprar produtos de luxo.
As experiências também aparecem como uma oportunidade. 73% dos consumidores dizem estar dispostos a pagar por experiências exclusivas, enquanto 63% considerariam modelos de assinatura que ofereçam benefícios como acesso especial e seleção personalizada.
Uma nova combinação para o mercado
Os resultados apontam para uma mudança no setor: o luxo pode incorporar inteligência artificial, revenda certificada e novos formatos de relacionamento sem necessariamente abandonar os elementos que construíram o valor das marcas.
Nesse cenário, a tecnologia aparece menos como substituta da experiência tradicional e mais como uma ferramenta para torná-la mais personalizada. O desafio para as marcas será encontrar esse equilíbrio entre inovação, exclusividade e relacionamento humano.


